quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Desaprendemos a falar para não crentes?



É impressionante o despreparo que a maioria dos artistas gospel demonstram para falar ao público "secular", onde os jargões, clichês e as frases feitas do gueto evangélico não fazem sentido e nem tem o mesmo efeito com o qual estão acostumados em suas apresentações junto ao publico de igreja. Infelizmente,  só se prepararam para falar com gente da mesma fé que eles e por isso não têm discurso com profundidade para alcançar o perdido, quando a oportunidade de ser sal fora do saleiro chega. 



Os padres não são preparados para falar apenas com católicos, bem como o umbandista/espiritualista também não é preparado para falar apenas com o seu público. É só ver a desenvoltura e a fluidez verbal com que desenvolvem suas idéias quando participam dos programas de TV, sem apresentarem gírias ou clichês dos seus ambientes religiosos, em respeito ao público que não está inserido na mesma cultura que eles.


Já os artistas gospel só têm o jargão igrejeiro e as muletas verbais (como aleluiaaaa, glória a Deus, o fogo vai cair) na ponta lingua, saiu disso naufragam. O mesmo acontece com a maioria do pastores, escritores, professores e demais pessoas da área de comunicação, ligadas à igreja evangélica. Não se mostram preparados para falar ou escrever para aqueles que Jesus mandou alcançar: Os que estão fora da igreja, entre eles os próprios apresentadores ou jornalistas que os entrevistam, pois estes não têm a menor obrigação de conhecer as expressões evangélicas criadas por nós, como "eu profetizo" ou "tomo posse" que, por vezes, até dentro da igreja soam estranho, imagine fora.


Não vemos aí sintomas preocupantes de uma igreja  cujo discurso afirma querer alcançar o mundo, e que na prática está cada vez mais eficaz em falar com os de dentro?
Seria por que dentro encontram aceitação fácil para idéias, compreensão dos costumes e aderência para os produtos que querem vender? 


Perguntas como estas podem incomodar um pouco, más são uma maneira de olharmos para nós mesmos e para a missão que nos foi confiada, aferindo o quanto estamos encaminhados para o cumprimento dela ou não.

A foto acima é do encontro ecumênico ocorrido no dia 12.12.2010 durante o Domingão do Faustão entre a pastora Ludmila Ferber e o padre Fábio de Melo, ambos artistas da Som Livre, não por 
coincidência, gravadora da casa.


Ielton Isorro


Se quiser ler mais sobre o encontro acesse:http://www.pulpitocristao.com/2010/12/ludmila-ferber-e-padre-fabio-melo-no.html#comment-form


Perguntas desconfortáveis

Quem me conhece sabe que adoro perguntas, mais do que respostas. É por isso que costumo repetir que mais difícil que ter as respostas certas é ter as perguntas certas.
Seguem algumas que trazem (ou deveriam trazer) um desconforto danado pra muita gente. Não seria porque estão pregando/ouvindo "outro evangelho"?

Ielton Isorro

Que evangelho é esse, que substitui a alegria do Espírito pelo entretenimento?

Que evangelho é esse, que torna lideres eclesiásticos em patrões de almas?

Que evangelho é esse, que confere poder e menos amor nos corações?

Que evangelho é esse, que que expurga as dificuldades e exalta o conforto?

Que evangelho é esse, que promove a música e sacrifica a Palavra?

Que evangelho é esse, que enriquece homens amantes de si mesmos?

Que evangelho é esse, que menospreza a humildade e cultua a avareza?

Que evangelho é esse, que chama sofrimento de maldição e materialismo de prosperidade?

Que evangelho é esse, que que banaliza o pão nosso de cada dia e promove a egolatria?

Está ficando sério. Que evangelho é esse...? Não seria este, aquele evangelho que Paulo (o apóstolo) chamou de "outro evangelho"? (Gl 1.8)"

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Samuel Torralbo, denunciando a apostasia no Púlpito Cristão