sábado, 14 de janeiro de 2012

A (verdadeira) Autoridade Espiritual

"Aquele que quiser ser o primeiro dentre vós, seja o vosso servidor" Marcos 10:43



"Cristo ligou toda a autoridade na comunhão ao serviço fraternal.  Autoridade espiritual autêntica só existe onde é cumprido o serviço de ouvir, servir, carregar e pregar. Todo culto a uma pessoa, abrangendo qualidades excepcionais, capacidades, poderes e talentos extraordinários - ainda que sejam de ordem espiritual -, é mundano e não tem lugar na comunidade cristã, antes a envenena. O tão frequente anseio de nossos dias por 'figuras episcopais', 'pessoas sacerdotais', 'personalidade com autoridade' nasce, não raro, da necessidade espiritual mórbida de admirar seres humanos, de estabelecer autoridade humana visível, porque a autêntica autoridade de servir parece pequena demais. Nada se opõe tanto a esse pensamento quano o texto de 1 Timóteo 3... Onde o o bispo é retratado como homem simples e fiel, sadio na fé e na vida... Sua autoridade consiste no cumprimento do seu serviço. Não há o que admirar no homem em si... 'Quanto a vós não permitais que vos chamem Rabi, pois um só é vosso Mestre e todos vós são irmãos (Mateus 23:8) Não é de personalidades brilhantes que uma comunidade precisa, más de fiéis servidores de Jesus e dos irmãos...  A questão da confiança espiritual, tão intimamente ligada à questão da autoriadade, decide-se na fidelidade com que alguém cumpre o serviço de Jesus Cristo, e não nas qualidades extraordinárias de que dispõe. A verdadeira autoridade pastoral só encontrará aquele servo de Jesus que não busca autoridade própria, mas que, sujeito à autoridade da Palavra, é um irmão entre irmãos."

Retirado do livro Vida Em Comunhão Pg 94 de Dietrich Bonhoeffer - Ed Sinodal

O livro foi escrito em 1939 mas como é atual!


nEle


Ielton Iorro

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O que é maior que a lei do "pode ou não pode"?





Ouvi o grande amigo e irmão  Pr Dante falar muito bem sobre Rm 7 em 06.01.2012

O pensamento proposto por ele foi o de que nesse capítulo, Paulo traz à tona a questão do "pode ou não pode" e é para isso que existe a lei. Para dizer o que pode e o que não pode.
Cristo coloca os homens diante das escolhas e suas responsabilidades, em que pese, ou não, o fato de ser nova criatura.
O "pode ou não pode" não vai nos limitar. Aliás, nunca limitou ninguém, apesar de mostrar os limites.
O que limita, mesmo, é o "quero ou não quero" que sob a luz da nova consciência, dada ao nascido de novo, faz com que o indivíduo perceba quando quer o que não deveria e quando não quer o que deveria querer. Então não adianta o crente continuar perguntando se “pode ou não pode”. A pergunta é outra: “quero ou não quero e porque”

Fui com o pensamento para casa e este foi ganhando forma. Depois de responder a um comentário da Dani (http://berearepreciso.blogspot.com/) Cheguei a uma conclusão que pode chocar:
Após examinar a ele mesmo o São Paulo concluiu que o espírito da lei é o que deveria governar o desejo dele. Porém, (pasme) quem lhe governava os desejos era o pecado, ainda que Deus governasse a sua mente (Leia de novo Rm 7 pare no vers 25 e respire fundo antes de ler 8:1 e seguir). Nesse ponto é possível enxergar que a graça de Deus não brinca em serviço, o quão miseráveis somos e quão bondoso é Deus. Assim, por causa do exame sincero que faço de mim mesmo e de minhas próprias experiências com Deus, definitivamente chego de novo a seguinte constatação: “Suas misericórdias são (mesmo) a (única) razão de não sermos consumidos”.

Se eu fosse escrever a respeito de mim, o que o Ap Paulo escreveu a respeito dele mesmo no  vers. 25 de Rm 7 escreveria o seguinte: A minha mente é escrava de Cristo e do seu Evangelho, já o meu corpo é escravo da carne e de suas concupiscências. Portanto, quem me livrará dessa maldição e vergonha?

Ainda bem que Paulo mesmo responde: CRISTO que nos amou até morrer por nós, sabendo de antemão da condição em que nos encontramos.

Meu Jesus quis morrer por alguém como eu. Além dessa dolorosa e vergonhosa conclusão chego, também, a uma outra muito triste: Apenas 1/3 dos crente se confessam iguais ao Paulo, já os outros 2/3 são hipócritas.

Os primeiros são pecadores confessos e humilhados, que não se vêem merecedores de qualquer misericórdia. Já os segundos, pela maneira como se anunciam dos seus púlpitos e pressionam os que os ouvem a se comportaram como eles, em relação às limitações dos demais irmãos, ainda não entenderam a graça, nem vivem seus benefícios e por isso não ajudam ninguém a acessá-la, até porque só leva alguém à graça quem foi alcançado por ela. É isso, ou então os tais chegaram a um estado de mérito por excelência que nem mesmo Paulo, e muito menos esse que aqui escreve, atingiram.

nEle

Ielton Isorro