Deus está sempre do lado dos mais fracos, dos que precisam de ajuda
e de suporte frente à forças maiores. Essas são afirmações que percorrendo a
leitura bíblica não podemos deixar de fazer. (Ex 3:12) (Dt 10:17-19)
O admirável coração de Deus o faz agir com grandeza, mesmo quando é
desprezado e traído, por aqueles que são alvo do seu infinito amor.
Para nós que somos limitados e
reféns do mal que não queremos fazer, à medida que somos incompetentes em
realizar o bem que queremos, torna-se extremamente complicado fazermos uma sondagem
eficiente da natureza do perfeito Deus. Podemos apenas, dentro das nossas
limitações, fazer uma análise das suas atitudes em circunstâncias extremas,
como logo no começo da História foi misericordioso e justo com o primeiro
casal, ou a sua reação frente ao primeiro homicídio, ou ainda pela
interferência miraculosa na situação que o seu povo vivia como refém no Egito.
A história de Deus com o ser humano poderia muito bem ter terminado
quando Josué , juntamente com o povo, pôs os pés na Terra
Prometida. Ali Deus poderia ter dito: Missão cumprida. Encomenda entregue. Más
não, quando a história poderia estar terminando com um final feliz, estava apenas
começando. E logo entendemos porque. Aqueles que outrora eram opressos pelo
regime faraônico, pouco tempo depois estariam pedindo para si um monarca, nos
moldes que tinha o Egito, queriam ser contados, vistos, respeitados e temidos
pelas nações da terra. De mais fracos queriam ser os mais fortes. De opressos estavam
no rumo de se tornarem opressores. E queriam ostentar que por trás de tais
fatos havia o Deus de Israel. Caminho errado, perderam o foco. Não entenderam
que Deus não seria coadjuvante, não compartilharia e muito menos participaria
dessas ambições. O Rei Saul foi a primeira manifestação dessas pretensões,
enquanto o rei Davi materializa mais uma expressão do coração de Deus para com
o seu povo, uma maneira de mostrar que não era o poder humano que os
sustentaria. O Rei Salomão, pavimentou o
caminho escolhido para a derrocada de Israel, que sucumbiu perante outros
povos, foi ao cativeiro babilônico e nesses milênios nunca recuperou a sua
condição, mesmo sendo intitulada Israel de Deus.
Ora, será que poderíamos, como
Igreja, retirar alguma lição dessas desventuras de Israel e do seu
relacionamento com Deus?
Poderíamos concluir que a derrota de Israel se deu porque as
premissas estabelecidas por Deus não foram respeitadas?
No que as pretensões da igreja
contemporânea podem ser comparadas com as daquele Israel?
A influência, o poder político e
econômico que a igreja tem conseguido será suficiente para sustentá-la mediante
os desafios e as imposições que a sociedade tem apresentado? Não? Então será
por isso que os evangélicos buscam mais poder, mais dinheiro, mais influencia?
Jesus reafirmou, por diversas vezes, em seus discursos que o alvo
da ocupação de Deus em meio aos homens continuava o mesmo da Antiga Aliança: Os
fracos, os oprimidos, os necessitados, os doentes e os marginalizados pela
sociedade de qualquer época (Lc 7:22).
Quando o intitulado “povo de Deus” deixa de dar prioridade àquilo
que é o foco de Deus e passa a consumir energia e recursos com o próprio umbigo,
em busca de objetivos triunfalistas, este povo fica só com o título e deixa, de
fato, de ser instrumento dEle para cumprimento dos Seus propósitos. Logo surgem
os “bons samaritanos” exercendo o papel de socorrer os caídos à beira do
caminho. Olhe em volta e veja quantas instituições seculares e religiosas têm
sido levantadas nessa condição, enquanto essa igreja torra milhões com aquilo
que não é pão e está ocupada demais com os afazeres no templo, na rádio e na
televisão, para dar atenção aos presos, internos, famintos e perdidos.
Deus sempre está ao lado do necessitado, onde este estiver e, não
sugeriu, determinou que aqueles chamados de Seus também estivessem lá (MT 25:35-46).
Vamos obedecer ou sacrificar?
Em Cristo
Ielton Isorro
