segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Autoridade espiritual X Autoridade moral



O dia-a-dia da igreja é permeado das coisas chamadas espirituais. A começar da oração, que é falar com Deus, pois como Jesus explicou “Deus é espírito e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito em verdade”-  João 4:24. Outras atividades como os Jejuns, os cânticos, a compreensão da Palavra e uma série de outras coisas estão envolvidas nessa atmosfera espiritual.

No ambiente espiritual as coisas se desenvolvem de uma maneira sobrenatural e a interferência humana é mínima ou nenhuma, pois os fatos e os desdobramentos dos acontecimentos nesse cenário não podem ser controlados pelo homem.  Paulo teve acesso a esse mundo e veja sua narrativa em 1 Co 12:  2 - 4. Esse mesmo Paulo poderia ter reivindicado uma “autoridade espiritual” que não reivindicou 1 Co 12:6.
Da mesma forma Daniel também não reivindicou qualquer “autoridade espiritual” quando interpretou o sonho do rei Nabucodonossor, transferindo para Deus toda essa autoridade– Daniel 2:30.

O cristão ingenuamente, às vezes, sonha com a possibilidade de manipular esse mundo ‘espiritual’, com  a facilidade que manipula a maioria das coisas no mundo material, reivindicando para isso a autoridade do nome de Jesus, ou através das práticas de jejuns e orações, por exemplo, utilizando-os como controles remotos do céu ou alavancas para mover a mão de Deus e não apenas como instrumentos de relacionamento com Ele

A autoridade espiritual de Jesus é inquestionável e a sua autoridade moral está acima de qualquer suspeita, já a dos homens que tentam usar o seu nome ou a autoridade espiritual dEle é outra coisa -Atos 19:13-16

A Palavra de Deus contém toda autoridade espiritual e moral, já os homens que a conhecem e dela se utilizam não – Mateus 23:1-3. Portanto, temos que estar atentos com alguns aproveitadores da boa fé evangélica que se apropriam de uma autoridade espiritual jamais dada a qualquer homem, e muito menos quando estes não têm qualquer autoridade moral para tanto. A maioria deles se utiliza dos exemplos dos oráculos do Antigo Testamento na tentativa de darem respaldo as suas megalomanias espirituais, que na verdade têm razões materiais, além da cobiça por poder para subjugar e manipular o rebanho, dizendo-se espiritualmente ungidos e portanto de uma classe espiritual diferenciada e superior, para justificar arrogância, prepotência, falcatruas e desmandos.

A autoridade espiritual não é nossa. É dEle e está a serviço dEle, para os Seus propósitos. Quando a Bíblia nos ensina a usarmos essa autoridade, que está em Seu nome, para interferir nessa realidade em que vivemos, é para fazemos isso com a autoridade moral que só tem aquele que faz a sua vontade, na verdade, pedimos algo que já é de Seu querer, caso contrário Ele não o faria – Jo 15: 14 – 16, É por isso que muitos são alcançados com milagres, até pelas orações dos que não tem qualquer autoridade moral, pois de fato Deus não está fazendo a vontade deles, más a Sua que é boa perfeita e agradável – Romanos 12:2.  Fatalmente chegará o dia em que esses tais pretenderão utilizar essa ‘autoridade espiritual’, que julgam ter, para validarem a própria salvação, porém terrível será a resposta daquele que definitivamente tem toda autoridade nos céus e na terra:   "Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres? ’ Então eu lhes direi claramente: ‘Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal! ’ " – Mateus 7:21-23

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Ielton Isorro