quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Quando a instituição religiosa está a serviço dela mesma?


Há muito a igreja cristã, enquanto instituição, tornou-se uma grande colcha de retalhos. Ultimamente essa percepção tem aumentado, provavelmente por conta do volume inédito de informação produzido e a maneira ágil como as pessoas têm acesso ao que ocorre no mundo. Esse fenômeno intensificou-se desde que os anos 90 inauguraram a era da informação acessível à todas as classes sociais, coroada com a difusão da internet.


Tornou-se fácil perceber como é a cena religiosa contemporânea, onde é muito grande o número de denominações religiosas, católicas ou protestantes/evangélicas. Isso deveria ser muito bom, se todas existissem para uma única finalidade – Pregar o Evangelho –  porém, graças as suas colorações, posturas, tradições, linhas doutrinárias e costumes diferentes, produzem mais calor do que luz para o mundo. As suas diferenças tornam-se mais notáveis do que a razão comum de suas origens. Tal miscelânea produz mais confusão do que esclarecimento para o número cada vez maior de leigos, que sedentos tateiam na escuridão a procura de respostas, que o Cristo forneceu e a Igreja é a portadora das boas novas.


O novo mundo, em que vivemos, é o mais pragmático de toda a História. Nesse novo contexto as organizações existem e se sustentam graças àquilo que decidem produzir para a sociedade. Sendo esta constituída por pessoas, são elas que devem ser atendidas em suas expectativas e necessidades que podem ser pensadas em três esferas:


Físicas - atendendo a qualidade e manutenção da vida;


Intelectuais – contribuindo com o desenvolvimento humano para melhoria das pessoas e da sociedade;


Espirituais – ajudando cada indivíduo a encontrar o significado e sentido para a própria existência.


Penso que é o sucesso em alcançar essas metas palpáveis que garantirá a existência das instituições, no longo prazo, sejam quais forem as finalidades delas. Em outras palavras, é o serviço relevante ao próximo que definirá o futuro, também, das igrejas nessa sociedade pós-moderna  e são as pessoas atendidas por elas que determinarão a continuidade, ou não, de cada instituição.


Um sintoma de que uma organização (seja religiosa ou com outra finalidade) existe apenas por causa dela mesma, ocorre quando esta prioriza a própria existência, fechando-se em sua própria visão de mundo, afastando e excluindo pessoas ao invés de aproximá-las e incluí-las. Por fim, essas instituições se extinguirão, graças a sua inutilidade e desserviço ao próximo.


A verdadeira igreja plantada na terra por Jesus não corre esse risco. Mesmo atuando através dessas instituições, as quais chamamos denominações, não pode ser contida por elas. Uma vez que foi criada apenas para alcançar e servir pessoas, como fez o seu criador, que resumiu isso na seguinte afirmação: "Quem quiser vir após mim, tome sua cruz e siga-me". Na cruz Ele prestou o seu maior serviço à humanidade. Vamos seguí-lo?

nEle

Ielton

domingo, 27 de novembro de 2011

Para pensar...



A parábola do taxista e a intolerância. Reflexão a partir de uma conversa no trânsito de São Paulo. A expansão da fé evangélica está mudando “o homem cordial”? 

 
ELIANE BRUM 


O diálogo aconteceu entre uma jornalista e um taxista na última sexta-feira. Ela entrou no táxi do ponto do Shopping Villa Lobos, em São Paulo, por volta das 19h30. Como estava escuro demais para ler o jornal, como ela sempre faz, puxou conversa com o motorista de táxi, como ela nunca faz. Falaram do trânsito (inevitável em São Paulo) que, naquela sexta-feira chuvosa e às vésperas de um feriadão, contra todos os prognósticos, estava bom. Depois, outro taxista emparelhou o carro na Pedroso de Moraes para pedir um “Bom Ar” emprestado ao colega, porque tinha carregado um passageiro “com cheiro de jaula”. Continuaram, e ela comentou que trabalharia no feriado. Ele perguntou o que ela fazia. “Sou jornalista”, ela disse. E ele: “Eu quero muito melhorar o meu português. Estudei, mas escrevo tudo errado”. Ele era jovem, menos de 30 anos. “O melhor jeito de melhorar o português é lendo”, ela sugeriu. “Eu estou lendo mais agora, já li quatro livros neste ano. Para quem não lia nada...”, ele contou. “O importante é ler o que você gosta”, ela estimulou. “O que eu quero agora é ler a Bíblia”. Foi neste ponto que o diálogo conquistou o direito a seguir com travessões.

 - Você é evangélico? – ela perguntou.
 - Sou! – ele respondeu, animado.
 - De que igreja?
 - Tenho ido na Novidade de Vida. Mas já fui na Bola de Neve.
- Da Novidade de Vida eu nunca tinha ouvido falar, mas já li matérias sobre a Bola de Neve. É bacana a Novidade de Vida?
- Tou gostando muito. A Bola de Neve também é bem legal. De vez em quando eu vou lá.
- Legal.
- De que religião você é?
- Eu não tenho religião. Sou ateia.
- Deus me livre! Vai lá na Bola de Neve.
- Não, eu não sou religiosa. Sou ateia.
- Deus me livre!
- Engraçado isso. Eu respeito a sua escolha, mas você não respeita a minha.
- (riso nervoso).
- Eu sou uma pessoa decente, honesta, trato as pessoas com respeito, trabalho duro e tento fazer a minha parte para o mundo ser um lugar melhor. Por que eu seria pior por não ter uma fé?
- Por que as boas ações não salvam.
- Não?
- Só Jesus salva. Se você não aceitar Jesus, não será salva.
- Mas eu não quero ser salva.
- Deus me livre!
- Eu não acredito em salvação. Acredito em viver cada dia da melhor forma possível.
- Acho que você é espírita.
- Não, já disse a você. Sou ateia.
- É que Jesus não te pegou ainda. Mas ele vai pegar.
- Olha, sinceramente, acho difícil que Jesus vá me pegar. Mas sabe o que eu acho curioso? Que eu não queira tirar a sua fé, mas você queira tirar a minha não fé. Eu não acho que você seja pior do que eu por ser evangélico, mas você parece achar que é melhor do que eu porque é evangélico. Não era Jesus que pregava a tolerância?
- É, talvez seja melhor a gente mudar de assunto...

O taxista estava confuso. A passageira era ateia, mas parecia do bem. Era tranquila, doce e divertida. Mas ele fora doutrinado para acreditar que um ateu é uma espécie de Satanás. Como resolver esse impasse? (Talvez ele tenha lembrado, naquele momento, que o pastor avisara que o diabo assumia formas muito sedutoras para roubar a alma dos crentes. Mas, como não dá para ler pensamentos, só é possível afirmar que o taxista parecia viver um embate interno: ele não conseguia se convencer de que a mulher que agora falava sobre o cartão do banco que tinha perdido era a personificação do mal.)

Chegaram ao destino depois de mais algumas conversas corriqueiras. Ao se despedir, ela agradeceu a corrida e desejou a ele um bom fim de semana e uma boa noite. Ele retribuiu. E então, não conseguiu conter-se:

- Veja se aparece lá na igreja! – gritou, quando ela abria a porta.
- Veja se vira ateu! – ela retribuiu, bem humorada, antes de fechá-la.
 
Ainda deu tempo de ouvir uma risada nervosa. 

O mundo mudou e aqui eu pergunto: Como a Igreja tem se preparado para alcançar as pessoas desse novo mundo? 
Como falar do Cristo em um mundo onde as diferenças conquistam cada vez mais espaço e o respeito às escolhas individuais não é uma questão de escolha?
Apenas o discurso "evangelístico" as alcançará, ou elas precisarão "ver as nossas boas obras..."?
Bem, é só para irmos pensando. 

nEle 

Ielton. 

Leia Mais em: http://www.genizahvirtual.com/#ixzz1ewy58ClD


sábado, 24 de setembro de 2011

Igreja ou instituição?





Irmãos, Graça e Paz!

É cada vez mais comum encontrarmos pessoas que se cansaram da igreja. 
Por uma série de razões se decepcionaram com a instituição, agora são considerados “desigrejados” e traumatizados não querem voltar a participar de outra “instituição”.
Daí, surgem grupos de pessoas que defendem o fim das igrejas como instituições, dizendo ser elas as causas das dificuldades vividas pelo evangelho nestes tempos.
Por esse motivo, a pergunta cada vez mais comum é: O cristão deve seguir servindo a Deus vinculando-se a uma instituição, onde muitas vezes há interesse políticos, financeiros, vaidades entre outras mazelas ou procurar outra maneira de fazer isso sem vincular-se a uma igreja.

Essa é uma questão antiga. Os discípulos de Jesus o questionaram sobre isso e receberam dele a resposta de que não deveriam tentar separar o joio do trigo. Jesus, também, afirmou que as lideranças fraudulentas da Igreja não seriam julgadas em fórum humano (Mateus 7:22)

O apóstolo Paulo, também, tinha essa questão resolvida, quando afirmou:
"Mas, que importa? O importante é que de qualquer forma, seja por motivos falsos ou verdadeiros, Cristo está sendo pregado, e por isso me alegro... " Filipenses 1:18
Parece que para o Paulo estas coisas estavam superadas pelo interesse maior, que o colocava acima das mediocridades e desconfortos humanos.
Provavelmente o Paulo seria apedrejado por esse pensamento, que para muitos seria "reacionário" e "conformista", mas ao que parece ele estava acostumado com as pedradas de gente que tinha resposta pragmática e pronta para tudo.

De qualquer maneira, é delicada a situação da Igreja: 
Por um lado sofre com os aproveitadores, que a dilapidam, manipulam e lhe dão mal testemunho. 
Por outro lado, agora, também sofre com os pseudo-anarquistas que querem eliminá-la para acabar com suas deficiências, como se estas limitações fossem capazes de atrapalhar o plano de Deus.

Em alguns lugares a instituição está a serviço da igreja, em outros é ao contrário. Não importa. Que bom que o Evangelho continua sendo pregado

nEle, que conheci em uma instituição defeituosa,
Ielton Isorro

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A DIFERENÇA ENTRE UM MEMBRO DE IGREJA E UM DISCÍPULO DE CRISTO





Quarenta e oito diferenças entre um simples membro de igreja e a pessoa que assume o compromisso de ser um fiel discípulo de Cristo:

1. O membro espera pães e peixes; o discípulo é um pescador. (Mateus 4:19)
2. O membro luta por crescer; o discípulo luta para reproduzir-se. (João 15:8)
3. O membro faz apenas o necessário para ser aceito como membro, o discípulo empenha todas as suas forças em cumprir a missão que recebeu do Senhor (Eclesiastes 9:10)
4. O membro depende dos afagos de seu pastor; e quer ser servido, o discípulo está determinado a servir a Deus e ao próximo. (Salmos 100:2).
5. O membro gosta de elogios; o discípulo do sacrifício vivo. (Filipenses 2:17)
6. O membro entrega parte de suas finanças; o discípulo entrega toda a sua vida. (2 Coríntios 8:3-5).
7. O membro cai facilmente na rotina; o discípulo é um revolucionário e é renovado por Deus. (2 Coríntios 8:5).
8. O membro precisa ser sempre estimulado; o discípulo procura também estimular os outros. (1 Tessalonicenses 5:11).
9. O membro espera que alguém lhe diga o que fazer; o discípulo é voluntário em assumir responsabilidades. (Isaías 6:8).
10. O membro reclama e murmura; o discípulo obedece e nega-se a si mesmo. (Hebreus 13:17).
11. O membro é condicionado pelas circunstâncias; o discípulo as aproveita para exercer a sua fé. (Salmos 125:1).
12. O membro exige que os outros o visitem; o discípulo visita. (Atos 20:35).
13. O membro busca na palavra promessas para a sua vida; o discípulo busca vida para receber as promessas da Palavra. (Josué 3:5).
14. O membro só pensa em si mesmo; o discípulo pensa nos outros. (Filipenses 2:4).
15. O membro se senta para adorar; o discípulo anda adorando. (Salmos 34:1).
16. O membro pertence a uma instituição; o discípulo é uma instituição em si mesmo. (1 Coríntios 3:16).
17. Para o membro, a habitação do Espírito Santo em si é sua meta; para o discípulo, é meio para alcançar a meta de ser testemunha viva de Cristo a toda criatura. (Atos 1:8).
18. O membro vale porque soma; o discípulo vale porque multiplica. (Gênesis 9:7).
19. Os membros aumentam a comunidade; os discípulos aumentam as comunidades. (1 Coríntios 16:19).
20. O membro espera milagres; os discípulos os fazem. (Atos 19:11).
21. O membro velho é problema para a igreja; o discípulo idoso é problema para o reino das trevas.(Lucas 2:52).
22. Os membros se destacam construindo templos; os discípulos se fazem para conquistar o mundo.(Marcos 16:15).
23. Os membros são fortes soldados defensores; os discípulos são invencíveis soldados invasores.(Josué 1:3).
24. O membro cuida das estacas de sua tenda; o discípulo desbrava e aumenta o seu território.(Isaías 54:2).
25. O membro se habitua; o discípulo rompe com os velhos moldes.(1 Coríntios 9:22).
26. O membro sonha com a igreja ideal; o discípulo se entrega para fazer uma igreja real.(Romanos 15.1,2).
27. A meta do membro é ir para o céu; a meta do discípulo é ganhar almas para povoar o céu.(1 Timóteo 2:4).
28. O crente maduro finalmente é um discípulo; o discípulo maduro assume os ministérios para o Corpo.(1 Tessalonicenses 4:10).
29. O membro necessita de festas e eventos para estar alegre; o discípulo vive em festa porque é alegre.(Salmos 45:7).
30. O membro espera um avivamento; o discípulo é parte dele.(Romanos 12:11).
31. O membro agoniza sem nunca morrer; o discípulo morre e ressuscita para dar vida a outros. (I João 3:16).
32. O membro longe de sua congregação lamenta por não estar em seu ambiente; o discípulo cria um ambiente para formar uma congregação.(2 Coríntios 2:14).
33. O membro carrega uma almofada; o discípulo uma cruz. (Lucas 14:27).
34. O membro se considera sócio da Igreja; o discípulo é servo;(Romanos 6:19).
35. O membro cai nas ciladas do diabo; o discípulo as supera e não se deixa confundir.(1 Pedro 5:8).
36. O membro é espiga murcha; o discípulo é grão que gera espigas saudáveis.(Marcos 4:8).
37. O membro responde talvez! O discípulo responde eis-me aqui.(1 Coríntios 15:58) .
38. O membro preocupa-se só em pregar o evangelho; o discípulo em pregar e fazer discípulos.(2 Timóteo 2:2).
39. O membro espera recompensa para dar; o discípulo é recompensado porque dá.(Gálatas 6:7).
40. O membro passa a vida toda sendo pastoreado como ovelha; o discípulo apascenta os cordeiros.(João 21:17).
41. O membro se retira quando incomodado; o discípulo expulsa quem realmente quer incomodá-lo: os demônios.(Hebreus 10:25).
42. O membro leva a vida a pedir que os outros orem por ele; o discípulo ora pelos outros.(Efésios 1:16).
43. Os membros se reúnem para buscar a presença do Senhor; o discípulo carrega a Sua presença através do Espírito Santo.(João 14:17) .
44. O membro segue tentando limpar-se para ser digno de Deus; o discípulo não se olha mais e faz a obra na fé de que Cristo já o limpou.(João 15:3).
45. O membro espera que alguém lhe interprete as escrituras; o discípulo conhece a voz de seu Senhor e testemunha dEle. (1 João 2:27).
46. Muitos membros não se relacionam com membros de outras denominações; o discípulo ama e respeita a todos, pois isto é uma ordem de Deus, e só assim o mundo o reconhecerá como discípulo de Jesus.(João 13:35).
47. O membro depende de conselhos e incentivo dos outros para tomar uma decisão; o discípulo ora a Deus, lê a Palavra e em fé toma a decisão.(Salmos 119:100).
48. O membro espera que o mundo melhore; o discípulo sabe que não é deste mundo e espera o encontro com seu Senhor.(João 17:14)


Observações:
Jesus nos mandou fazer membros ou discípulos?
Todo discípulo é um crente, mas nem todo membro de igreja é um discípulo.

No mundo existem muitos membros de igreja, mas os discípulos de Jesus são os que realmente fazem a diferença.
Nosso alvo é que todo membro seja um discípulo e que cada discípulo se torne um discipulador, é discípulo fazendo discípulo, só assim o evangelho será pregado em todo o mundo.




nEle

Ielton Isorro

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O cliente sempre tem razão

"As pessoas hoje se sentem menos presas. Frequentam mais de uma igreja, sem nenhum problema. Às vezes, escolhem uma de acordo com os serviços que são oferecidos."


A frase acima foi dita pelo pastor Valdeci Pereira, 42, da igreja Batista no Santa Marta – RJ - a respeito da freqüência com que os evangélicos mudam de igreja. A afirmação foi feita em uma matéria publicada na Folha de São Paulo que trata sobre o aumento dos evangélicos não praticantes e dos que freqüentam diversas igrejas simultaneamente (http://www1.folha.uol.com.br/poder/959792-trocas-de-igrejas-sao-comuns-em-favela-na-zona-sul-do-rio.shtml)

De fato, o pastor Valdeci tem toda razão na sua afirmação. Em um mundo onde as campanhas de marketing cada vez mais destacam que as pessoas podem e devem ser atendidas pelas instituições e seus produtos, a igreja, nivelando-se ao utilitarismo das demais instituições, também adequou os seus discursos para atrair gente que precisa ver atendidas a contento suas demandas, familiares, emocionais, financeiras e de saúde. 
Isso por um lado foi muito bom porque atraiu um grande número de pessoas para a igreja. Principalmente as pentecostais e neopentecostais, que saturaram o uso desse modelo de marketing, baseado no apelo emocional pelas necessidades, entre as classes C e D onde as carências sempre foram maiores e, por assim ser,  as promessas de saúde e prosperidade encontraram grande aderência. Algumas destas igrejas chegam ao absurdo de fazer as pessoas reclamarem com Deus e o colocarem contra a parede, nas suas orações, quando os seus pedidos não são atendidos. Da mesma forma como estão acostumadas a fazer nos Serviços de Atendimento ao Cliente das empresas quando estas não entregam o que foi comprado!

Agora se mostra o outro lado da moeda, que também já é experimentado por todas as instituições. O consumidor, antes de ser fiel a qualquer instituição ou produto, é fiel a si próprio e acaba ficando com aquele que lhe atende melhor, até que outro o faça.

Os números do IBGE divulgados na matéria, reforçam a necessidade de repensar esse modelo de igreja. 
Não seria  tempo de voltarmos ao modelo proposto por Jesus (João 13:12-17), onde o "serviço ao outro" deve estar em primeiro lugar, antes do "serviço a mim mesmo"? 
Onde estão os crentes abnegados, prontos a alcançar o necessitado, sem ocupar a posição de um cliente que precisa ser bem atendido em qualquer circunstância, por ter fé, dar o dízimo, ou por atender os demais desafios propostos pela igreja?

Por certo, muitos pastores ainda desafiam suas igrejas a viverem esta vida abnegada dentro e fora da congregação. Não obtendo a resposta devida dos crentes, esses líderes veem-se encurralados e reféns da própria congregação que ameaçam abandonar a igreja e procurar outra onde possam servir a Deus com "liberdade". E a oferta, justificada pela procura, é grande! 
A maioria dos evangélicos estão impregnados pelas mesmas motivações egoístas que embalam o restante da sociedade, e buscam uma igreja-instituição-paternalista que os atenda, um lugar onde se sintam bem e não onde sejam diariamente chamados a lembrar do desconfortável chamado do Cristo, para sermos agentes de SERVIÇO, lavando os pés uns dos outros e promotores de TRANSFORMAÇÃO, sob a ordem de tomar a própria cruz e segui-lO, arcando assim com as responsabilidades de ser Igreja. Isso não é para os que procuram o bônus de pertencer a uma igreja sem o ônus de ser Igreja.

nEle

Ielton Isorro

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Mais uma vez, somos notícia.





Li e recomendo esse artigo maravilhoso da Braulia Ribeiro (http://www.genizahvirtual.com/2011/08/saias-evangelicas-ou-mentes-evangelicas.html) sobre uma matéria da Revista Veja, que trata de “moda evangélica” e como as mulheres evangélicas se vestem http://veja.abril.com.br/040804/p_146.html
Nada demais ou de menos na matéria da Veja, que fala sobre um tema agradável, porém raso e irrelevante, como tantos outros que vemos todos os dias na mídia.

Agora, há de ser sempre assim? Quando a Igreja vira notícia é por causa dos belos e sóbrios vestidos das mulheres evangélicas; Por causa do tipo de música que fazemos; Pela quantidade de pessoas que vão à Marcha Para Jesus ou que seguem a procissão do 
Cirio de Nazaré; Ou com algum pastor despreparado debatendo com gays e expondo a igreja no Super-pop; Ou pior, por causa dos escândalos financeiros e sexuais que vez ou outra estampam revistas e jornais com nome de Padres, Bispos, Pastores, Bispos e Apóstolos?
Afinal, quando seremos conhecidos, notados ou percebidos por aquilo que o Senhor Jesus disse que deveríamos ser?

De qualquer maneira, esse reconhecimento nunca ocorrerá em “rede nacional”, como é sonho da maioria. O mundo em trevas não tem, e jamais terá, interesse algum de promover em massa as obras da Luz. 
Porém, é certo que há muitos cristãos anônimos sendo sal da terra por onde passam, sendo relevantes. Os tais dificilmente serão capa da Veja nem matéria do Fantástico, mas o testemunho destes ilustres desconhecidos permanece indelével diante do Pai das Luzes e das pessoas que os cercam.
Enquanto isso, a instituição deformada em que tem se transformado a Igreja, persegue as luzes dos holofotes que atraem a atenção desta sociedade, como borboletas fascinadas rodeando as lâmpadas até caírem mortas por não terem outra luz para seguir.

nEle

Ielton Isorro

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Confiar Cegamente


Você já pensou na possibilidade de confiar em alguém cegamente?

Como uma criança que segura a mão da própria mãe ao cruzar uma avenida, olhando para o céu enquanto saboreia um pirulito, já que está confiante e despreocupada com os carros, pois a sua mãe está ocupada em que nada de mal lhe ocorra durante a travessia?

Parece uma pergunta fácil de responder, principalmente quando se está entorpecido pelo discurso religioso recorrente em nossos dias, onde confiar em Deus parece ser a coisa mais simples do mundo, conforme é berrado nos microfones sobre os púlpitos. Como se fosse a coisa mais inconcebível, em algum momento, alguém não confiar em Deus.

Quando foi a última vez que você desconfiou de Deus? “Misericordia!!” Quase pude ouvir o pensamento de alguns.  “Eu jamais desconfiei de Deus!” Pura bravata religiosa. Todos nós em algum momento sofremos um déficit nessa confiança, que nós gostaríamos que fosse inabalável, mas não é.

O frio na barriga quando sabemos que sairá uma lista de corte no nosso emprego; Quando o médico abre o envelope com os últimos exames cardíacos que fizemos; Quando o telefone toca de madrugada e as camas de pessoas que amamos ainda estão vazias. Nesses, e noutros casos, em que parece que o chão desaparece debaixo dos pés, clamamos a Deus, mas as batidas do coração continuam aceleradas, principalmente quando as más notícias se confirmam, a angustia entra sem bater na porta e desesperadamente nos agarramos ao que resta da confiança “inabalável” que tínhamos e a primeira pergunta que surge é “Por que, Senhor?” Essa é uma pergunta bastante reveladora, por trás dela está a nossa verdadeira confiança, que é muito diferente da que temos em nosso discurso religioso.

Da mesma forma essa “confiança” revela-se também quando fazemos aquilo que não agrada a Deus, e pior, gostamos do que fizemos, ainda que venha sobre nós o convencimento do Espírito Santo quanto ao delito. Outra vez, nestas ocasiões, somos invadidos pela angustia e pela sensação de que “depois dessa” Deus nunca mais nos ouvirá e que não somos dignos de estar em sua presença, como se algum dia tivéssemos conquistado esse direito por nossos méritos e esforços de santificação.

É esse o tipo de confiança que temos em Deus e que só revela quem de fato nós somos e quem  de fato Ele é, pois conforme a Bíblia explica  Se somos infiéis, ele permanece fiel, pois não pode negar-se a si mesmo” (2 Timóteo 2:13) Em outras palavras se eu deixo de confiar nEle, Ele permanece confiável.

O Cristo desafiou Marta e nos desafia a confiar nele e em suas promessas  "Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em mim, não morrerá eternamente. Você crê nisso? "  (João 11:25-26)

À medida que deixamos de ser crianças, já não seguramos nas mãos dos nossos pais para atravessar a rua, porque passamos a confiar mais em nossas próprias habilidades e desconfiar de qualquer coisa que nós mesmos não estejamos no controle, principalmente quando tais coisas não saem da maneira que pretendíamos, ou que entendíamos como melhor. Daí vem o alerta de Jesus "Deixem vir a mim as crianças, não as impeçam; pois o Reino de Deus pertence aos que são semelhantes a elas"  (Marcos 10:13) Crianças confiam cegamente.

Abandonar-se cegamente nas mãos de Deus e, ao mesmo tempo, não deixar de ser responsável pelas próprias atitudes e conseqüências, talvez configurem-se nos maiores desafios da fé cristã amadurecida e não estamos sequer perto de superar isto. Logo, só nos resta confiar no Amado a despeito de nossa própria capacidade de confiar.

nEle
Ielton Isorro

sexta-feira, 27 de maio de 2011

"vitória" da bancada "cristã" contra o kit (propaganda) gay


As bancadas evangélica e católica estão comemorando a suspensão do kit gay.
Porém em troca da conquista não vão votar pela abertura de uma investigação contra um ministro de Estado.
Mudam as moscas, mas a carniça é a mesma. E ainda tem gente aplaudindo...
Na constituinte de 1988 a bancada "cristã" votou contra a reforma agrária em troca de apoio à censura nas tele-novelas. Parece que o pensamento da bancada foi o seguinte: "Entre manter a moral e os bons costumes ou acabar com a miséria no campo, danem-se os sem terra e Deus abençoe os latifundiários." Mudou alguma coisa nesse tipo de pensamento? Nada de novo! Esses despreparados continuam toscos!!

O kit (propaganda) gay é incompatível com o papel educativo do Estado e não deve ser aprovado. Isso é indiscutível. Agora, a atitude imoral da bancada evangélica fechando os olhos para uma possibilidade de investigação é mesmo de dar nojo. E ainda pousam como heróis??

Mas esperar o que? Afinal, esse é o jogo da politicagem. Quem sentou-se nessa mesa para jogar vai ter que jogar com as cartas que tiver na mão. Detalhe: A mesa da politicagem é do diabo e quem dá as cartas nela é ele, e as cartas que vêm são mentira, prevaricação entre outras baixezas que temos visto... Nenhuma novidade para alguns que estão lá. Vendidos!!

Infeliz também é o apoio registrado por alguns pastores desesperados, dando aval a uma imoralidade em prejuízo da outra.
É assim que Jesus ensinou esses senhores?
Em qual passagem dos evangelhos esses senhores teriam visto Jesus tendo alguma atitude parecida com essa para se livrar da cruz, por exemplo?
Ou seria esse  um dos ensinos que o pragmatismo do deus desse mundo, onde os fins justificam os meios, tem dado a estes senhores?
Será esse o tipo de valores que estes senhores defendem frente aos rebanhos que conduzem?
Deveriam Lembrar-se que João Batista poderia ter feito a mesma coisa para livrar a cara do Herodes e salvar a própria cabeça. Não fez! João não prevaricou!

Ahh! ainda há outros que falam em batalha espiritual. Como se Deus estivesse numa queda de braço desesperada com o diabo, dependendo que os "homens de Deus" fizessem alguma tramóia para que ele vencesse essa batalha. Eita deusinho pequeno o dessa galera! Parei por aqui!!

No Amado, a quem foi dado todo o poder no céu e na terra,

Ielton Isorro

quarta-feira, 25 de maio de 2011

“Saravá meu pai! Viche-maria! Tá amarrado!”




Outro dia, ao final de um culto, ouvi sobre uma determinada pessoa evangélica, que quando tem algumas dificuldades não resolvidas na igreja, procura a ajuda de um médium espiritualista, e o melhor (ou pior) sempre consegue os resultados esperados

Essa história não me surpreendeu em nada. As pessoas estão buscando uma religião, ou serviço religioso, que funcione e que traga os resultados pelos quais elas estão investindo tempo e dinheiro.
Algumas igrejas evangélicas têm se posicionado para responder à essa expectativa e se apresentam como verdadeiras agências de milagres, bastando as pessoas investirem a sua fé, que reclama dedicação, indo aos cultos, e dinheiro, fazendo as contribuições para a ´obra´.

O resultado disso é o que vemos na mídia. Gente, aos milhões, procurando pelas tais soluções mágicas nestas igrejas, que expõem em suas mídias os casos de sucesso na forma de ´testemunhos´, estimulando outros a procurarem o mesmo tipo de ajuda, pois em tese, o que deu certo para um dará certo para todos. E se não der certo as explicações covardes estão prontas: Teria sido porque a fé do postulante ao milagre não foi suficiente, ou as contribuições exigidas não foram dadas, ou ainda porque tal pessoa estaria em pecado e ‘Deus não abençoa quem está em pecado’

Nada contra milagres e o socorro aos necessitados. Porém, estudando os evangelhos não vemos Jesus dar ênfase nessas coisas, dá forma como a igreja de hoje dá, ainda que ele socorresse as pessoas. O discurso dele não era em torno de seus milagres. Era outro:
“Jesus respondeu: "A verdade é que vocês estão me procurando, não porque viram os sinais miraculosos, mas porque comeram os pães e ficaram satisfeitos.
Não trabalhem pela comida que se estraga, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem lhes dará. Deus, o Pai, nele colocou o seu selo de aprovação". João 6:26:27

Diametralmente contra o que Jesus ensinou e em franca concorrência com os terreiros, casas de curandeiros e outras instituições espirituais, as igrejas pentecostais e neopentecostais têm disputado esse público carente de interferência sobrenatural, fazendo uma propaganda parecida com as destas instituições (vide imagens acima). Vemos até as pequenas comunidades aderindo a esse discurso para não perder audiência.

Por conta dessa ênfase no atendimento das necessidades dessa vida, o discurso evangélico tem arrastado multidões em troca de milagres. Toda essa gente não está sendo desperta pela mensagem de Jesus, que fala de arrependimento, renuncia, abnegação, caminho estreito, carregar cruz e serviço ao próximo. Isso jamais lotaria igrejas. Mas, como alguém já perguntou "de que adianta o as igrejas estarem cheias se o céu ficar vazio?"

Cada vez mais, as pessoas procuram as igrejas evangélicas com a mesma disposição que procuram um terreiro de umbanda, ou qualquer curandeiro. Simplesmente para procurar alívio das suas dores e necessidades. Até aí nada de errado. Ele mesmo afirmou "Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso.” Mateus 11:28 A questão é se (e porque) as pessoas permanecem nessas igrejas. Afinal, depois que terminam uma campanha começam outra. Depois que terminam um “desafio” iniciam outro... Mas permanecem como eternos "bêbês espirituais"
Ora, Será que Deus  quer ser tratado como os ídolos são tratados nos centros e terreiros, onde as pessoas relacionam-se com as entidades pelo que elas podem fazer em troca de um ritual (culto) ou de uma oferenda (oferta)?

Nota-se que muitas pessoas que fizeram promessas em Aparecida, ou qualquer outro santuário católico, já encomendaram um ‘serviço’ em algum terreiro de umbanda, e também fizeram ao menos uma campanha em   igreja evangélica. Numa forma sincrética de estar bem com Deus, com santos e com orixás. Por isso não estranhe se junto com os costumeiros e conhecidos “vixe Maria!” e “Saravá meu pai!” começar a ouvir das mesmas bocas, também, um “tá amarrado!”, “aleluia!” ou “gloria a Deus!”

É assim que a igreja brasileira patologicamente comemora ter mais de 40 milhões de evangélicos. Fora os outros 50 milhões, ou mais, que participaram de alguma atividade ou fizeram parte de alguma igreja e hoje não querem nem ouvir falar do evangelho. Na verdade, talvez nunca tenham ouvido. Não o evangelho de arrependimento que Jesus e os discípulos pregavam.

nEle

Ielton Isorro
Para explorar mais esse assunto leia "Protestantismo Tupiniquim"- Gedeon Alencar - Arte Editorial

quinta-feira, 19 de maio de 2011

kit gay do MEC



vcs podem assistir aos filmes que o MEC pretende divulgar na escola para combater a homofobia. 

Vi os quatro vídeos, alguns mais que uma vez e ainda não formei uma opinião completa sobre eles. 
A princípio,pensando friamente, vejo o governo preocupado com alunos que fizeram a opção homoafetiva e são ridicularizados, sofrendo violências físicas e morais por parte dos demais. Como é de se esperar em uma sociedade sem amor e respeito ao próximo, seja lá quem o próximo for.
Em primeira analise, o MEC tenta educar esses demais para respeitarem a opção dos que querem ser diferentes. E desse ponto de vista o kit é uma ferramenta educativa.

Por outro lado, há outras minorias (como negros, orientais, gordos, gagos, deficiente, etc) que também sofrem humilhações, por serem 'diferentes' (às vezes sem opção) e mereceriam uma 
campanha como esta, que nunca foi feita, más a questão gay virou prioridade. Fruto, provavelmente, da mobilização e organização de suas lideranças em torno da causa, sobre a qual, sabe-se, a Bíblia já deu seu julgamento.

De qualquer maneira, a Igreja deve preparar-se para esclarecer educadores, pais e adolescentes, porque esse material cedo ou tarde, de uma forma ou de outra, chegará nas escolas e poderá ter uma interpretação equivocada pelos que são do Caminho.
Cada vez fica mais claro que o mundo está seguindo a passos largos na rota por ele escolhida e a Igreja, também, já fez a sua escolha. Na verdade foi Ele quem nos escolheu.

nEle

Ielton Isorro

terça-feira, 12 de abril de 2011

Quantos "Wellingtons" ainda surgirão?


Não é de hoje que a contribuição da Igreja tem sido irrelevante no quesito criança. Salvo raras e honrosas exceções e mesmos estas sabem que ainda estão fazendo pouco diante da necessidade.

Crianças não dão dízimo nem oferta. Não representam receita e sim despesa para as igrejas.

Por esses e outros motivos, não vemos esforços na maioria das igrejas para alcançá-las com uma linguagem que assimilem e contribua com a sua educação. A maioria dos esforços é para falar com adultos.

Vemos boa parte das igrejas retirando as crianças do culto dos adultos (muitas vezes para não atrapalharem) e fazendo os tais "cultinhos" onde "tias" com muito boa vontade e, na maioria das vezes, com pouco preparo se empenham em tentar pregar o evangelho para os pequeninos. É muito pouco! A igreja pode e deveria fazer mais.

A situação piora muito quando vem a pré adolescência, seguida da adolescência que são as fases mais lindas, porém mais difíceis da vida. De novo, a igreja não se preparou para alcançá-los e agora eles são grandes de mais para os "cultinhos" e ainda muito pequenos para o culto com o resto da igreja. O que fazer? A igreja não sabe, pois não se preparou.

Justamente nesse momento critico da vida, a maioria deles abandona a igreja que os teve tão perto e não conseguiu alcançá-los. Daí por diante tudo pode acontecer. Até mesmo se tornarem um "Wellington"*.

Alguns poderão questionar: "Que culpa a igreja tem se o menino surtou, virou bandido, ou que a menina se prostituiu ou engravidou?" A questão aqui não é culpa. É responsabilidade, pois a quem muito é dado muito será cobrado.
Sendo bem pragmático: Quando poderemos dizer a Ele que estamos dando 100% do que poderíamos dar nesse assunto?

Acesse esse link para lerem mais sobre esse assunto http://www.pulpitocristao.com/2011/04/quando-wellington-se-transformou-em-um_12.html#comments

nEle

Ielton Isorro

*Wellington Menezes de Oliveira, matou 12 crianças em um colégio no Rio de Janeiro em Abril de 2011.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Desafios da comunhão II - Diferenças: Razão para atrito ou para comunhão?



Costuma-se dizer que somos todos iguais, mas à medida que conhecemos as pessoas descobrimos o quanto somos diferentes uns dos outros, embora tendo a mesma fé. E aqui cabe perguntar se essas diferenças contribuem com o atrito ou com a comunhão dentro da igreja.
Parece ao contrário, mas Deus criou-nos diferentes uns dos outros para a nossa comunhão ser perfeita. Porém, por causa do pecado, as diferenças que nos fazem únicos, tornaram-se causa de atritos e até da quebra de comunhão.

Daí confortavelmente, ou politicamente, nós procuramos ter comunhão com quem temos afinidade, ou só com as pessoas que não nos contrariam, ou com aquelas que apóiam as nossas idéias, excluindo do nosso circulo de relacionamento as demais pessoas. Isso é relacionamento por afinidade. Não por comunhão!

A determinação de Deus é outra e torna claro que não é possível estarmos em comunhão com ele e não estarmos em comunhão com nosso irmão, por mais diferente que o mesmo seja de nós. Isso não garante que não ocorrerá atrito, pelo contrário. O atrito sempre fará parte dos relacionamentos, porém não para excluir a comunhão, antes para fortalecê-la, desde que haja o vinculo da paz. O amor. Nesse caso o atrito, quando ocorrer, reforçará ainda mais a comunhão, pois não haverá hipocrisia ou fingimento e as situações serão tratadas com sinceridade, transparência, compreensão e perdão.

De fato as diferenças são vitais. 
Observe o caso das cores. Se misturarmos o verde com outro verde teremos como resultado o verde. Ou seja, não obteremos nada de novo. Porém, se misturarmos o verde com o amarelo, por exemplo, obteremos a cor azul. Que coisa maravilhosa! O amarelo não deixa de ser amarelo, o verde não deixa de ser verde e ao se unirem formam uma nova cor. Assim outras cores também surgem quando acontece a mistura de cores diferentes. O mesmo ocorre com as pessoas. Quanto mais diferentes elas forem e quanto mais se aproximarem uma da outra, mais interessantes serão os resultados. E a razão pela qual a Igreja de Jesus Cristo tem esta coloração especial é a mistura de pessoas tão diferentes, como nós, trabalhando em comunhão pela mesma missão.

nEle

Ielton Isorro

Texto escrito especialmente para o segundo culto temático, em 03 de Abril de 2010 da ADNIPO -Bristol
quando tivemos a presença do pr Marcílio Zan e do Stênio Marcius.

terça-feira, 29 de março de 2011

Desafios da comunhão I - Relacionamentos por afinidade ou comunhão?


Os relacionamentos existentes na igreja ocorrem por afinidade ou por comunhão?

Tanto uma coisa é verdade quanto a outra. 
Quando nos relacionamos com as pessoas que gostamos, e que gostam de nós o fazemos, na maioria das vezes, por afinidade. Assim estas pessoas se tornam a "nossa igreja" por causa dos nossos interesses e conforto humanos, enquanto outras são excluídas da comunhão por causa das diferenças. Isso é automático. Fazemos sem nos dar conta.

Ocorre que a determinação de comunhão estabelecida por Deus vai muito além desta.  O modelo criado por Cristo na escolha dos doze apóstolos demonstra isso. Foram recrutados homens sem a mínima afinidade, para os quais foi colocado um objetivo comum: Segui-lo amando-o e amando-se uns aos outros e não dava para fazer isso sem conviverem juntos. Sendo lembrados que amar quem concordava com eles, ria junto com eles ou os apoiava seria fácil, mas resultava em muito pouco. Difícil, porém necessário, era amar quem os contrariava, más esse sim seria o amor relevante, que o próprio Jesus demonstrava em sua atitude para com eles. Um amor não baseado em emoções e sim em atitudes de quem ama verdadeiramente.

Essa determinação de Deus era para aquela primeira igreja, plantada entre os doze apóstolos, e também é para a igreja de hoje, onde somos tentados a seguir o padrão de relacionamento secular estabelecido pela sociedade, onde as amizades moldam-se segundo os próprios interesses, vantagens e conveniências de cada um, enquanto a comunhão verdadeira, que Deus pretende que tenhamos, deve existir por causa dos interesses maiores do seu Reino de amor.


nEle

Ieton Isorro

Texto escrito para o primeiro dos dois cultos temáticos na Adnipo pq Bristol em 27/Março/2011, quando ouvimos a pregação do pr Israel Sifoleli e o louvor do Arlindo Lima


segunda-feira, 7 de março de 2011

Três Princípios




1.Princípio da mudança

Mudança é algo que para muitos, dependendo das circunstâncias, é vista como indesejável, para outros como necessária.

Dependendo do momento da vida, as pessoas a evitam e resistem, dependendo do momento a procuram e desejam.

Mudar, em algumas oportunidades, parece ser uma questão de opção, noutras de necessidade.
Há pelo menos dois tipos de mudanças: as que a vida nos impõe e as que deveríamos nos impor.
Ao que parece a maioria delas é da primeira categoria e por muitas vezes estão relacionadas ao modo como estamos governando nossas próprias vidas. Quanto mais formos proativos, mais determinaremos as mudanças, ao passo que quanto mais reativos formos mais seremos alvos delas.

As mudanças são inevitáveis, tanto para proativos quanto para reativos, a questão é que o primeiro grupo lida melhor com elas, uma vez que estão acostumados a promovê-las em si mesmos e no seu circulo de influência e não se adéquam às famosas zonas de conforto, enquanto os reativos têm maior dificuldade em lidar com elas, uma vez que preferem a estabilidade, coisa que na vida é transitória, já que as mudanças ocorrem por decisão nossa ou não.

A nova criatura, anunciada por Jesus, deve arbitrar e capitanear as mudanças necessárias para compatibilizar sua existência com esta nova vida e, portanto, estar pronta para as mudanças impostas pelas circunstâncias, sem se transformar em vítima delas e sim das próprias escolhas.

2. Princípio da escolha

Uma das nossas armas mais importantes, se não for a mais importante, é o poder da escolha.
Em um episódio muito conhecido da História, Davi, um franzino jovem Judeu, aniquila um gigante filisteu de 2,90m de altura conhecido como Golias, utilizando uma pedra e uma funda, mesmo notando-se que havia outras armas à sua disposição. O rei Saul lhe ofereceu a sua própria armadura e apetrechos para a batalha, o exército israelita devia ter um bom arsenal de armas, más nem mesmo o rei ou qualquer soldado utilizaram adequadamente a principal arma que Davi, eles e nós mesmos temos: A escolha.

Davi foi o único naquele cenário que usou corretamente a escolha. Qualquer outro poderia tê-la usado da mesma forma, mas apenas ele o fez. Davi escolheu enfrentar o gigante e daí por diante nada mais importava, além da sua escolha. Outros ali talvez fossem corajosos, tivessem a mesma fé, conheciam o mesmo Deus, más só um fez a escolha certa e agiu. Sendo assim um excelente exemplo de proatividade, que se define principalmente pela habilidade de escolher as respostas, sem subordiná-las apenas a sentimentos ou a circunstâncias, mas principalmente a valores.

De fato a escolha pode ser a nossa maior arma, porém há um detalhe importante aqui. Esta arma tem dois gumes, muito afiados. Se a utilizarmos de forma incorreta, subordinando-a somente aos sentimentos e (ou) às circunstâncias, volta-se contra nós.

O próprio Davi experimentou o seu uso incorreto, tempos depois, quando escolheu ter a mulher de Urias, um de seus principais aliados, o que lhe custou altíssimo preço. Porém, Davi não se viu como vítima das circunstâncias ou dos sentimentos e sim de suas próprias escolhas, registrando isso com suas próprias palavras no Salmo de número 51, só fazendo tal reconhecimento lhe foi possível vencer.

3. Princípio da vitória

Vencer quem ou o que?
Essa pergunta é a mais importante que pode ser feita quando pesamos nesse tema. Qual o nosso maior inimigo? A Bíblia nomeia claramente os três maiores: O diabo, o mundo e a carne, a saber, nós mesmos.

O diabo, já está condenado, e teve a sua cabeça esmagada pelo Cristo. Porém, tal e qual uma cobra quando sofre um golpe fatal em sua cabeça, e que ainda permanece se debatendo por bom tempo, causando medo em quem quer que se aproxime, mesmo sem já ter vida alguma, assim é o diabo; O mundo, por sua vez, já está condenado à destruição e conforme explicação de Jesus, “jaz no maligno”.  A expressão “jaz” vem de “jazigo” que quer dizer túmulo, mas ainda age como se vivo estivesse e por isso representa perigo; Já a carne, que quer dizer nós mesmos na figura da velha criatura, está viva e atuante, militando dia e noite contra a nova criatura.

E aqui estes três princípios se juntam. A mudança deve ser uma decisão e nem sempre uma conseqüência. A escolha é a principal arma que temos para utilizar nesta batalha do espírito contra a carne, o resultado desta batalha é que nos torna proativos ou reativos, e a vitória, por fim, é capacidade de fazer as escolhas certas, pautadas nos valores da nova criatura, ensinados pelo Evangelho, o que possibilita a transmissão eficaz destes ensinos a outros, o que se dá não apenas por discursos, más por práticas coerentes.

nEle

Ielton Isorro