terça-feira, 29 de julho de 2008

O que sabemos sobre o amor?


Sentimento ou atitude? Palavra ou ação? Será que temos a verdadeira noção do que está envolvido no verbo amar, quando pedimos a Deus que nos dê mais amor pelos nossos irmãos?

Algumas coisas já aprendemos sobre o amor. Entre elas que o amor anda acompanhado do sofrimento. Não há quem ame e não sofra, talvez por isso as pessoas se esquivam, sempre que possível, da obrigação de amar. Obrigação porque Deus não pediu para amar, nem tão pouco aconselhou. Ordenou, é bom lembrar.
Para tentar amenizar, há quem afirme que o amor não existe. Quem assim o faz pensa que sofrerá menos. Outros dizem que o amor é coisa de gente fraca. Agindo assim, os que não amam pensam ser fortes e, portanto menos vulneráveis ao sofrimento.
Há aqueles que acham que as suas ações fugirão ao seu controle caso amem, e tornar-se-ão assim mais frágeis
Muitos afirmam:”já amei demais e só levei pedrada” como pedrada aqui quer dizer sofrimento, as pessoas estão procurando pessoas que mereçam ser amadas. Esse é o ponto crucial: O amor não é para quem merece ser amado. É para quem precisa ser amado.
Vou aqui chegando a conclusão que não é que as pessoas não queiram amar. Parece que não querem mesmo é sofrer. Alias nenhum produto ou serviço terá sucesso se garantir sofrimento ao consumidor, porque é disso que todos estão correndo.
Conforto, bem-estar, felicidade, alegria é o que está por trás de tudo o que as pessoas procuram no modelo de sociedade que conhecemos, onde a ordem é consumir qualquer coisa que possa anular aquilo que gera desconforto, dor e sofrimento.
Como uma das garantias do amor é a de que quem ama sofre, a tendência reinante é substituir o verdadeiro amor, por um amor menos comprometido, ou uma forma de amar com menos envolvimento, mais a distância, com um pé na frente e outro atrás. Jesus chamou isso de amor falso ou amor fingido.
A maneira como o Evangelho aborda a questão do sofrimento é deveras interessante, não estimulando as pessoas a buscarem o sofrimento para amadurecer nem tão pouco vendendo facilidades e maneiras de burlar o sofrimento, más afirmando a importância de saber sofrer e obter com isso amadurecimento e então aprender a supera-lo.
Será que não seria o caso de aprendermos a sofrer? Ou melhor, aprendermos a suportar os sofrimentos?
Quando falamos com Deus e pedimos para tirar-nos do sofrimento, não seria correto pedirmos condições e coragem para suportar e superar?
Quando oramos pedindo mais capacidade para amar os nossos irmãos devemos estar prontos também para suportar as decepções, traições e demais sofrimentos que os relacionamentos humanos podem acarretar

Ao Deus toda gloria por tudo

sábado, 19 de julho de 2008

Salvos da perfeição

Li esse texo no site do Pr Ricardo Gondim e foi escrito por Elienai Junior que é pastor sênior da Igreja Betesda no Ceará.
O pr Ricardo tem razão "Este belíssimo texto merece ser conhecido por todos."

DEUS DE TÃO PERFEITO conheceu a plenitude do tédio. De tão cercado pelo idêntico a si mesmo, incapaz de dizer por que hoje não é apenas um reflexo de ontem, sem jamais ter sonhado com um outro dia, enfadado com a previsibilidade de um mundo impecável, inventou o amor. Ou seria, preferiu amar?

A invenção do amor, ou dos amigos, é o encontro com o imperfeito e aqui está a sua grandeza. Nada se compara ao êxtase da imaginação, à adrenalina do inusitado, ao ciúme diante do livre amante, à ardência do anseio pelo melhor, ao sabor fugidio do fugaz, à satisfação de um mundo transformado, ao descanso gostosamente dolorido diante do que não mais é caos. Sensações próprias da vida imperfeita, do que está para sempre para ser, dos que sempre podem desejar uma outra coisa. Dos humanos.

Logo depois de inventar o imperfeito, Deus conheceu a lágrima da frustração. A dor mais feliz que espíritos livres sentem. Viu as costas dos que mais amou. Duvidou sem desistir, o Criador chorou mais uma vez. Desta lágrima descobriu o perdão. Lágrima esquentada com afeto e graça.
Mal compreendido pelos amigos, inimigos tolos, pecado, recobriram-no de ídolo. De tão cansados do incerto, angustiados por tanta liberdade, os amigos inventaram ídolos, pretensos profetas e arrogantes senhores do futuro, sacerdotes e magos de um deus acuado, cristos milagreiros da mesmice ressurreta. Inventaram a religião, vestiram-se de absoluto.


Deus, que do absoluto fugiu em desespero, que inventara o imperfeito, imperfeito se fez. Inventou-se entre os incertos. Aperfeiçoou a imperfeição. Humanizou-se entre humanos. De tão impreciso, despido das forças do absoluto, igualmente inapreensível, excepcionalmente frágil, tão vivo e tão morto, descortinou o absoluto como quem desnuda o que é mau. Imperfeito, salvou-nos da perfeição.

sábado, 12 de julho de 2008

Quem tenho sido? O que tenho feito?



“Quem semeia vento colhe tempestade”
“Quem com ferro fere com ferro é ferido”
“Aqui se faz aqui se paga”

Frases por demais conhecidas que ilustram o sistema de justiça humano, onde a lei da semeadura é amplamente discursada e tida como modelo infalível, por essa razão é imitada pelos códigos de direito, até então concebidos, que em resumo resultam em punição para quem erra e premiação para os heróis.
Tais conceitos são aplicados nos tribunais de justiça quando réus são sentenciados por crimes cometidos. Também estão presentes nos tribunais da mente humana, quando são formados os pre ou pos conceitos a respeito de pessoas, em razão de suas atitudes para conosco ou para com outros.
As mentes, desde a infância, são treinadas para viver dentro deste cenário e conviver com as consequências de uma realidade em que a ação e a reação são constantes, condicionadas a um ambiente onde sempre haverá a espectativa de uma reação equivalente às ações individuais.

Neste cenário a graça parece ser o maior paradoxo que poderíamos imaginar, já que utilizamos o nosso senso de justiça avariado pelo pecado, motivando a imensa dificuldade de conceituar ou entender a graça de Deus e as ações do Deus da Graça.

Até mesmo a Igreja ainda não a assimilou e por não se deixar vivê-la por inteiro, torna-se um agente com grande dificuldade em transmití-la.
O apostolo Paulo desprezou a sabedoria humana, da qual ele era um dos porta-standartes e só por isso conseguiu ser aquele que melhor articulou sobre o assunto. E até hoje é com base em suas epístolas que temos as melhores definições e as afirmações mais precisas no que diz respeito ao assunto.

A graça nos apresenta o seu cartão de visitas, num dia sangrento, em cima do Golgota. Naquele momento o heroi que deveria estar recebendo das autoridades religiosas e governamentais instuídas a premiação e o reconhecimento pela imensa obra que mudaria para sempre a trajetória da espécie, e isso em menos de três anos de atuação. Não recebeu medalhas pelo seu empenho ou reconhecimento pelo desempenho. Recebeu cravos com os quais foi pregado em uma cruz e vergonha em lugar de honra. Ao passo que ao seu lado alguem, que sequer tem o nome registrado na história, mais um zé ninguem, mais um desses marginais que, segundo a nossa ótica, não merecia sequer ter nascido, mas já que nascera não merecia outra coisa se não a morte, de forma que a sociedade fosse expurgada de mais um de tantos tumores málignos.

Como que por ironia, é justamente desse zé ninguem que o heroi desprezado recebeu o reconhecimento merecido: “Se estamos aqui é porque merecemos, ele nada fez” disse o marginal e arrematou: “Senhor, quando entrares no teu Reino, lembra-te de mim”. Por um instante o cosmo inteiro parou a espera da argumentação lógica, que para todos seria algo como: Você não merece, ou o Reino não é para gente ruim como você. Más é exatamente nesse momento que ocorre o maior embaraço que os codigos de justiça poderiam sofrer, uma vez que a resposta para aquele pedido foi a afirmação: “Ainda hoje estarás comigo no paraíso”. Devido a essa frase, os desesperados, os miseraveis, os que não se sentem merecedores passam a ter a esperança que até então só os “perfeitos”, os “bons” os religiosos tinham.
Alguns tentam minimizar essa expressão da graça chamando o zé ninguem de O bom ladrão para que ele ficasse melhorzinho e portanto um pouco mais merecedor de entrar no paraíso, já que o ladrão da terceira cruz ridicularizara Jesus. Os que apelam para esse expediente esquecem-se de que aquele homem estava na cruz, conforme ele mesmo adimitira, exatamente por não ter nada de bom, certamente reconhecia que havia cometido crimes terríveis e prejudicara outras pessoas, o único realmente bom ali é Jesus, e por isso o zé ninguem foi salvo. Esse é um dos princípios da graça: Os que são salvos, não o são por causa da sua própria bondade e sim por causa da bondade do Senhor, de graça.

Ao contrário do temor de muitos, a graça não invalida a justiça, antes, ela anuncia um nível de justiça muito mais elevado e imponderável. Por isso mesmo não dependemos do nosso esforço para usufruí-la, muito pelo contrário quanto mais nos esforçamos mais deixamos de desfrutá-la.
É pela graça que Deus perdoa, mesmo não se agradando do pecado.
"Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isso não vem de vocês, é dom de Deus; Não por obras para que ninguem se glorie." Ef 2:8-9
Aos salvos cabe distanciar-se, custe o que custar, daquilo que não agrada ao seu Salvador, uma vez que a graça dá o direito ao perdão, más não dá o direito de pecar e esse pensamento deve nortear quem somos e o que fazemos.

Ao Deus da Graça toda glória, por tudo!!

terça-feira, 8 de julho de 2008

Inteligência moral


Li o texto abaixo que é de autoria do Pr Ed René Kivitz da Ig. Batista da Agua Branca, em São Paulo.
Com muita propriedade ele percorre as questões que permeiam o deserto moral e ético da contemporaneidade pos-moderna. Essa voz é mais uma das vozes que clamam no deserto, por isso não poderia deixar de ser registrada aqui nesse espaço.



Ao Deus da Graça toda gória, por tudo!


Reflexões sobre a ética

Ethos na língua grega designa a morada humana


Deixa de ser bobo, todo mundo faz. Esta é a frase mais usada para justificar o comportamento ilícito. Dentro dela estão embutidas práticas como a do médico que solicita um "por fora" argumentando que a remuneração do plano de saúde não é satisfatória; do empresário que molha a mão do pessoal que libera carga na alfândega; do pai de família que trabalha sem carteira assinada e do empregador que contrata o pai de família; do vendedor que dá uma comissão ao comprador para fechar negócio; do comerciante que compra nota fria para tributar menos ou sonegar; do consumidor que compra produto pirateado porque senão não poderia comprar; da sacoleira que trabalha no mercado informal para sustentar quatro filhos; e assim por diante, numa lista de comportamentos interminável assimilados como "naturais" neste mercado selvagem.

O cenário comporta múltiplas abordagens, e qualquer um que acredite estar diante de um problema de fácil solução certamente está fazendo uma análise simplista. Por exemplo, basta lembrar que o comportamento ilícito tem suas variáveis. Pelo menos duas, para ser simples sem ser superficial. A primeira diz respeito aos agentes. A segunda, aos eventos. Quanto aos agentes, os não éticos podem ser divididos entre os que fazem por estilo de vida, como os criminosos que montam uma estrutura de mercado e governo paralelos; e os que fazem por necessidade, como os que se colocam à beira da calçada e estão mais para sobreviventes do que para imorais. Já em relação aos eventos, devemos admitir que há distinção entre a transgressão como recurso emergencial, como a do camarada que aceita ser achacado pela autoridade que criou a dificuldade para vender a facilidade, e a transgressão como meio de vida, como a da autoridade que vive criando dificuldade. De minha parte, embora coloque tudo no pacote do fracasso ético, aceito dialogar com quem acredita que "uma coisa é coisa e outra coisa é outra coisa".

Ética, moral e lei

Na busca de caminhos para o comportamento ético, podemos entrar pela porta das definições elementares. Devemos, por exemplo, fazer distinção entre ética e moral. O Frei Leonardo Boff ilumina nossa caminhada dizendo que "Ethos, ética, na língua grega designa a morada humana. O ser humano separa uma parte do mundo para, moldando-a ao seu jeito, construir um abrigo protetor e permanente. A ética, como morada humana, não é algo pronto e construído de uma só vez. O ser humano está sempre tornando habitável a casa que construiu para si. Ético significa, portanto, tudo aquilo que ajuda a tornar melhor o ambiente para que seja uma moradia saudável: materialmente sustentável, psicologicamente integrada e espiritualmente fecunda. A ética não se confunde com a moral. A moral é a regulação dos valores e comportamentos considerados legítimos por uma determinada sociedade, um povo, uma religião, uma certa tradição cultural etc. Há morais específicas, também, em grupos sociais mais restritos: uma instituição, um partido político... Há, portanto, muitas e diversas morais. Isto significa dizer que uma moral é um fenômeno social particular, que não tem compromisso com a universalidade, isto é, com o que é válido e de direito para todos os homens. Mas, então, todas e quaisquer normas morais são legítimas? Não deveria existir alguma forma de julgamento da validade das morais? Existe, e essa forma é o que chamamos de ética".

Moral identifica um modo de agir humano, regido por normas e valores, por hábitos e costumes. A moral se relaciona com o comportamento prático do homem. Ética é uma reflexão teórica que analisa, critica ou legitima os fundamentos e princípios que regem um determinado sistema moral.

• Ética é princípio; moral são aspectos de condutas específicas;

• Ética é permanente; moral é temporal;

• Ética é universal; moral é cultural;

• Ética é teoria; moral é prática.

As leis estão no campo da moral, e devem ser avaliadas a partir de seus pressupostos éticos. Para que você entenda melhor, a afirmação de que todos os seres humanos são iguais perante Deus é uma afirmação ética, um princípio universal, e a lei que considera crime a segregação racial é uma aplicação moral, bem como a lei que condena a escravidão.

A ética deve ser, portanto, aplicada moralmente através dos códigos legais. As leis são instrumentos de regulamentação social. De acordo com Clive Staples Lewis, teólogo inglês, as leis são necessárias, pelo menos por três razões. Em primeiro lugar, para promover uma arrumação e harmonização no interior de cada ser humano em particular. Depois, para promover a justiça e a harmonia entre os seres humanos. Finalmente, com o objetivo geral da vida humana como um todo, com o fim para o qual o homem foi criado, que se consolida na possibilidade de um mundo justo e fraterno habitado por seres humanos plenamente realizados, o que muitos de nós chamaríamos céu ou paraíso.

Em termos práticos, Lewis está dizendo que "a lei protege a pessoa", e por isso o Ministério da Saúde obriga advertências nos produtos tóxicos como fumo e álcool. Além disso, "a lei promove a justiça", o que justifica a tributação como instrumento de distribuição de renda. Por fim, a lei viabiliza a utopia, que se expressa, por exemplo, na Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Cristianismo: ética, moral e consciência


É certo que o Cristianismo possui suas premissas éticas (grade de valores) que determinam sua moral (leis, mandamentos e costumes). Mas também é certo que a proposta do Cristianismo não é um chamado para que se viva em obediência a leis e mandamentos morais. O Cristianismo convida a uma nova consciência, isto é, desafia cada ser humano a interpretar a lei (moral) à luz da ética.

É fácil de explicar as razões deste desafio à consciência. Tenho basicamente quatro justificativas. Em primeiro lugar, todos sabemos que nem tudo o que é legal é ético, isto é, nem sempre a observância da lei é o melhor caminho para a realização do ideal ético e promoção da justiça. O aborto, a eutanásia e a pena de morte podem se tornar legais, mas ainda assim continuarão a suscitar discussões éticas.

A segunda justificativa da valorização da consciência acima da lei, é que a lei não é suficientemente abrangente. Uma vez que o ser humano é um universo infinito, também as relações entre seres humanos será um universo infinito. A lei nunca será abrangente o suficiente para promover a justiça em todos os espectros possíveis da complexidade das relações humanas. Cada sociedade vai desenvolver seus códigos morais em razão da necessidade da sobrevivência e da convivência. O Dr. Drauzio Varella discute bem essa questão em seu livro Carandiru, que retrata o dia-a-dia daquele que foi o maior complexo penitenciário da América Latina.

Um terceiro argumento está baseado no fato de que a lei se flexibiliza diante da ética. A lei, que em tese é rígida em sua norma, se submete à ética, que é dinâmica em sua hierarquia de valores. Por esta razão é que o sujeito que rouba para dar de comer aos filhos pode ser absolvido pelo tribunal: a vida é um valor maior que o direito à propriedade. Acredito que foi isso o que Jesus tentou ensinar ao afirmar que "o sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado", isto é, a lei deve estar a favor da vida.

Finalmente, a lei é reguladora dos fatos sociais, e nesse caso, não havendo o fato que a justifica, a lei perde seu sentido. Quem ficaria parado de madrugada numa rua deserta só porque o sinal está fechado? O policial que lavrasse uma multa por avanço de sinal às duas da madrugada numa rua deserta estaria cumprindo a lei? Novamente voltamos ao paradoxo entre o sábado e o homem.

Fica claro, portanto, que somente o tolo obedece sempre, e somente o sábio é capaz de desobedecer a lei sem transgredir a ética. Poucos são os capazes de andar na ilegalidade sem cair na imoralidade. E isso faz do Direito uma ciência extraordinária e bela, pois visa a justiça, acima da lei. Está explicado porque o Cristianismo, em vez de apresentar um novo código moral, faz um convite desafiador à nova consciência.

Princípios éticos à luz do Cristianismo


Em relação à questão da vida profissional e das relações no mercado, posso dar exemplos de princípios éticos derivados dos valores cristãos. Falando de resultados, o Cristianismo, por exemplo, é diferente do Pragmatismo. O Pragmatismo diz que o que dá certo é certo, enquanto o Cristianismo diz que o que é certo vale mais do que o que dá certo. Isto é, nem tudo que dá certo é certo. Algumas coisas, inclusive, nós fazemos sabendo que resultarão em prejuízo para nós - darão "errado" - mas preservarão nossa dignidade e honra, isto é, a nossos valores éticos. O caráter sempre vale mais do que os resultados.

Falando de gente, as pessoas sempre valem mais do que os papéis que desempenham: o faxineiro é tão digno quanto o presidente da corporação. Os relacionamentos sempre valem mais do que os negócios. A fraternidade está acima do lucro. A solidariedade está acima das posses.

Falando de dinheiro, a justiça vale mais do que a prosperidade, e o bem comum vale mais do que a riqueza pessoal. O bem estar individual não pode existir às custas da indiferença social. Lembre da figura do vampiro que suga o sangue de todo mundo até sobrar apenas o sangue dele: o genocídio é uma espécie de suicídio. Riqueza sustentável é riqueza compartilhada. Dinheiro vivo é dinheiro circulando, repartido, distribuído.

Caminhos pessoais


Alguém já disse que a melhor maneira de mudar o mundo é fazer um circulo ao redor de si mesmo e começar as mudanças a partir do lado de dentro do círculo. Os alemães dizem que devemos pensar globalmente e agir localmente, o que deve ter dado origem ao seu provérbio que diz que "em pequenas vilas, pequenas pessoas estão fazendo pequenas coisas que estão mudando o mundo". Nesse caso, mesmo sabendo que esta questão não será equacionada sem a mobilização social e as transformações estruturais promovidas pela ação política, sugiro alguns compromissos pessoais-individuais.

#1 Jamais negocie os valores arraigados em sua consciência. Caráter não tem preço. É melhor dormir mal porque falta cama, do que dormir mal porque a consciência pesa. As pessoas que me procuram à guisa de dilemas éticos geralmente estão em defesa de seu padrão de vida, em vez de em luta pela sobrevivência. O problema de muita gente não é a impossibilidade de fazer o que é certo, mas a dificuldade ou recusa em assumir o ônus do que é certo. Muito raramente me deparo com pessoas que não sabem o que fazer. Geralmente encontro pessoas que não têm coragem de fazer o que sabem que devem fazer.

• É melhor ter pouco com o temor de Deus do que grande riqueza com inquietação. (Provérbios 15.16)

• É melhor ter pouco com retidão do que muito com injustiça. (Provérbios 16 .8)

• Melhor é um pedaço de pão seco com paz e tranqüilidade do que uma casa onde há banquetes, e muitas brigas. (Provérbios 17.1)

• Melhor é ser pobre do que mentiroso. (Provérbios 19.22)

• Melhor é o pobre íntegro em sua conduta do que o rico perverso em seus caminhos. (Provérbios 28.6)

#2 Faça distinção entre a prática eventual do ilícito e o estilo de vida ilícito. A Bíblia também recomenda: "Não seja excessivamente justo nem demasiadamente sábio; por que destruir-se a si mesmo? Não seja demasiadamente ímpio e não seja tolo; por que morrer antes do tempo? É bom reter uma coisa e não abrir mão da outra, pois quem teme a Deus evitará ambos os extremos" (Eclesiastes 7.16-18). Não encaro isso como "licença para ser imoral de vez em quando", mas como recomendação da sabedoria para julgar e discernir a partir de uma hierarquia de valores.

#3 Pratique a "ética temporal ascendente". Este é um conceito muito interessante desenvolvido por Lourenço Stelio Rega, em seu livro Dando um jeito no jeitinho (Editora Mundo Cristão). Este princípio foi utilizado, por exemplo, pelo apóstolo Paulo, que não se posicionou claramente contra a poligamia, mas exigiu dos líderes cristãos que "fossem maridos de uma só mulher". Naquele contexto social, a transição brusca da poligamia para a monogamia implicaria a condenação de muitas mulheres, que não possuíam quaisquer direitos legais, à miséria e à prostituição. Por isso, mesmo sendo a monogamia o ideal moral cristão, o apóstolo soube conviver com a poligamia o tempo necessário para promover a transição, de modo a evitar maiores complicações sociais.

#4 Participe dos processos de transformações sociais. A mobilização da população é o instrumento de transformação social em um estado de direito. O regime democrático implica mais do que o voto, na verdade, exige que o voto seja precedido pelo esclarecimento e sucedido pelo acompanhamento dos eleitos. A militância, geralmente associada à política partidária, deve ser encarada em seu espectro mais amplo, que inclui a sociedade civil em todas as suas dimensões de representatividade. Cumpra seu papel como cidadão. Comprometa-se com uma causa. Assuma uma postura. Associe-se com pessoas e organizações que trabalham para o bem comum. Incentive a solidariedade. Seja um doador. Faça trabalho voluntário. Divulgue boas notícias. Denuncie. Assine listas. Candidate-se. Proteste. Faça campanha. Não se omita. Faça alguma coisa. E se for o caso, chame sua turma e levante uma bandeira.

Conclusão


Geralmente se ouve que as pessoas se perguntam se vale à pena ser honesto. A profecia de Rui Barbosa se cumpriu: "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto". Mas receio que a questão seja um pouco pior: as pessoas já não se perguntam se a honestidade vale à pena, mas sim se a honestidade é possível.

Ainda não perdi a fé. Não perdi a esperança. Não deixei de acreditar na dignidade do ser humano. Aprendi que o mundo está dividido em três grupos de pessoas. Os otimistas ingênuos. Os pessimistas frustrados. E os realistas engajados. Espero somar entre os que estão de mangas arregaçadas.

Fonte: http://www.galilea.com.br/artigos.asp?id=5

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Matéria prima para construir um país


Não sei quem escreveu o texto abaixo, comentou-se que era do João Ubaldo Ribeiro, más ele não o reconheceu. Ouvi o Pr Ricardo Gondim lendo e comentando sobre o mesmo então resolvi colocá-lo aqui.

Só pra constar:

1- Há várias vozes clamando no deserto.

2- Estará Deus usando "outros profetas"?

Ao Deus da Graça, toda gloria por tudo!



"A crença geral anterior era que Collor não servia, bem como Itamar e Fernando Henrique. Agora dizemos que Lula não serve. E o que vier depois de Lula também não servirá para nada. Por isso estou começando a suspeitar que o problema não está no ladrão corrupto que foi Collor, ou na farsa que é o Lula. O problema está em nós. Nós como POVO. Nós como matéria prima de um país. Porque pertenço a um país onde a "ESPERTEZA" é a moeda que sempre é valorizada, tanto ou mais do que o dólar. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família, baseada em valores e respeito aos demais. Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nas calçadas onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO OS DEMAIS ONDE ESTÃO. Pertenço ao país onde as "EMPRESAS PRIVADAS" são papelarias particulares de seus empregados desonestos, que levam para casa, como se fosse correto, folhas de papel, lápis, canetas, clipes e tudo o que possa ser útil para o trabalho dos filhos ...e para eles mesmos. Pertenço a um país onde a gente se sente o máximo porque conseguiu "puxar" a tevê a cabo do vizinho, onde a gente frauda a declaração de imposto de renda para não pagar ou pagar menos impostos. Pertenço a um país onde a impontualidade é um hábito. Onde os diretores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos. Onde pessoas fazem "gatos" para roubar luz e água e nos queixamos de como esses serviços estão caros. Onde não existe a cultura pela leitura (exemplo maior nosso atual Presidente, que recentemente falou que é "muito chato ter que ler") e não há consciência nem memória política, histórica nem econômica. Onde nossos congressistas trabalham dois dias por semana para aprovar projetos e leis que só servem para afundar ao que não tem, encher o saco ao que tem pouco e beneficiar só a alguns. Pertenço a um país onde as carteiras de motorista e os certificados médicos podem ser "comprados", sem fazer nenhum exame. Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no ônibus, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o pedestre. Um país onde fazemos um monte de coisa errada, mas nos esbaldamos em criticar nossos governantes. Quanto mais analiso os defeitos do Fernando Henrique e do Lula, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem "molhei" a mão de um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Dirceu é culpado, melhor sou eu como brasileiro , apesar de ainda hoje de manhã passei para trás um cliente através de uma fraude, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta. Como "Matéria Prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas nos falta muito para sermos os homens e mulheres que nosso país precisa. Esses efeitos, essa "ESPERTEZA BRASILEIRA" congênita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos de escândalo, essa falta de qualidade humana, mais do que Collor, Itamar, Fernando Henrique ou Lula, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são brasileiros como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não em outra parte... Me entristeço. Porque, ainda que Lula renunciasse hoje mesmo, o próximo presidente que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém o possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Collor, nem serviu Itamar, não serviu Fernando Henrique, e nem serve Lula, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa? Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente sacaneados!!! É muito gostoso ser brasileiro. Mas quando essa brasilinidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, aí a coisa muda... Não esperemos acender uma vela a todos os Santos, a ver se nos mandam um Messias. Nós temos que mudar, um novo governador com os mesmos brasileiros não poderá fazer nada. Está muito claro...... Somos nós os que temos que mudar. Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda nos acontecendo; desculpamos a mediocridade mediante programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez. Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de surdo, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO. E você, o que pensa?...."

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Fé, crianças na UTI e tsunamis

Esta semana, pela primeira vez, estive em uma UTI Infantil. Na companhia da mãe fui visitar uma criança, que já há sete meses ininterruptos permanecia presa a um leito daquele lugar, isso porque segundo os médicos os aparelhos ali instalados a mantem viva, já que após a forte pneumonia, motivo de sua internação, a menina não recuperou a condição de respirar sozinha.

Ao me aproximar daquele corpinho o meu coração se partiu, quando aqueles olhinhos negros se dirigiram aos meus, fui logo brindado com um sorriso irresistível. Pude notar, pelos lábios rosados de batom e a sombra colorida em suas pálpebras, que alguém delicadamente havia maquiado o seu rostinho e também lhe feito um penteado especial naquele dia. Uma boneca estava ao seu lado esquerdo, entre ela e a grade da cama, enquanto alguns brinquedinhos dançavam pendurados por cordões presos aos equipamentos que com suas luzes, gráficos e números piscando, delineavam o contraste daquele cenário.

O objetivo da minha visita ali era apoiar aquela família e orar por aquela menina, porém, não sabia que aquele dia seria tão marcante, já visitei muitos doentes e vi várias situações angustiantes, más não me recordo de ter vivenciado um paradoxo tão infeliz. Olhei ao redor e notei que nas outras camas estavam outros menininhos e menininhas, tão lindos quanto aquela que fora visitar. Não pude deixar de imaginá-las correndo atrás de bolas, empurrando carrinhos, pulando e gritando com toda vida e energia, como estamos mais acostumados a vê-las. Aquele cenário me chocou. A minha oração inevitável foi: “Meu Senhor, por tua misericórdia sem fim, crianças não combinam com este lugar!”. Intercedi por aqueles pequeninos, pedi que recebessem um milagre de restituição da saúde. Pensei no desespero de seus pais, que não os têm por perto, por um instante senti a dor deles e orei para que tivessem força e ânimo para superarem aquele momento horrível.

Sai daquele hospital sentindo sobre os ombros o peso da impotência que nos é peculiar diante de determinadas situações dessa vida. Como eu queria que após ter ouvido a minha oração (e sei que ouviu) Deus fizesse com que aquelas crianças saíssem ao encontro dos pais. Isso não aconteceu. O que eu podia fazer naquele momento era tentar consolar aquela mãe e pedir-lhe que continuasse crendo contra a própria esperança que a sua filhinha seria restaurada. Ainda mesmo que naquele momento a minha fé também precisasse ser renovada.

Quebrando a casca da hipocrisia, quem já passou por situações assim pode concluir que o nosso entendimento não é suficiente para realizar o fato de que o Deus que tudo pode, tudo vê e tudo sabe, e que muito antes que eu chegasse àquela UTI, lá já estava e conhecia todo esse drama, antes mesmo que eu orasse, Ele já sabia até quais seriam as minhas palavras, e ainda assim aquele quadro permanecia o mesmo, e que cada um de nós certamente se pudesse o mudaria. Talvez Jó tenha estado diante da mesma condição quando foi argüido pelo proprio Deus: “Onde você estava quando eu lançava os fundamentos da terra?” (Jó 38:4 ) Em outras palavras Deus estaria carinhosamente nos dizendo: menino, quem é você para me dar conselhos, ou para dizer como devo fazer as coisas?

Isaac, um cristão de Singapura, logo após o tsunami na Indonésia, redigiu a seguinte oração, talvez articulando melhor estes sentimentos, que não sabemos ou não temos a honestidade, ou mesmo a coragem e a transparência de expressar ao Senhor nessas ocasiões:

Deus, choramos pelas vítimas, mais ainda por aquelas que não acreditam em teu Nome. Tem piedade de todos nós. Não há dúvida que nos dói o coração ver gente sofrendo tanto nesta catástrofe do tsunami. Às vezes, somos levados a perguntar se pelo menos te preocupas com isso. Sei que não nos puniste por causa dos nossos pecados, pois vieste salvar os pecadores. Sabemos que nos amas, pois vieste morrer por nós. Más por que escolhes-te calar-te agora?

Por que o mundo foi criado imperfeito, com tantas falhas geológicas no subsolo? Não é possível que essas falhas tenham sido causadas por nossa ação, não é mesmo? Não dói em teu coração ver as famílias separadas, vidas jovens ceifadas e despedaçadas?

Sabemos que o vaso não pode questionar o oleiro e sabemos que deténs a verdade. Então a quem podemos recorrer se não a ti? Más não podemos deixar de pensar que se um homem consegue perdoar e amar o seu inimigo, como pode o Autor de nosso amor deixar perecer os que não acreditam nele? Perdoa-nos por questionar o teu amor – nós questionamos porque acreditamos que és amor e porque buscamos explicações para o que aconteceu. Sabemos que nossas perguntas não serão respondidas aqui na terra: simplesmente oramos para que continues mantendo viva a nossa fé. Amém.

(Oração retirada do livro de Philip Yancey - Oração, ela faz alguma difereça? Pg 115 ed. Vida 1ª ed.)

Ao Deus da Graça toda gloria, por tudo!

sexta-feira, 20 de junho de 2008

A Chave do Jardim



A Bíblia tem no centro da sua trama o constante interesse de Deus pelos seus filhos. As narrativas bíblicas, por diversas vezes, refletem quem somos e a maneira como nos relacionamos com nosso Criador, além de deixarem transparecer a essência do Pai das Luzes.

É possível acompanhar a composição inicial desse relacionamento em pleno Édem, quando o Senhor, na viração do dia, convivia com os primogênitos. É inevitável traçar um paralelo entre esta cena com a do o pai de família que ao fim de cada tarde chega do trabalho e é recebido no portão de casa por um casal de filhos ansiosos, correndo para o grande abraço do pai, para eles naquele momento nada mais importa. A pequenina logo traz o chinelo o rapazinho se encarrega de guardar a pasta, e em seguida disputam atenção com as narrativas das descobertas e demais ocorrências daquele dia. A troca de carinho e a troca de olhares denotam a confiança mutua, marcando a pureza e a integridade existentes no relacionamento.

A humanidade nunca mais foi a mesma desde o dia que o Pai foi ao jardim e os filhos não correram para os seus braços de amor. Não houve mais abraço, as conversas de fim de tarde nunca mais ocorreram. Os filhos, agora desconfiados, estavam escondidos. Os olhares não se cruzaram mais. Em uma das partes não havia mais sinceridade e a pureza daquele relacionamento estava comprometida. O fato estarrecedor é conhecido como a Queda do homem. Esse é o mais trágico capítulo da História e termina com o Pai vendo os filhos saindo do jardim, uma vez que aquela atmosfera pura não comportava a nova natureza admitida pelo primeiro casal. A nudez que antes em nada os incomodava, agora era um de seus muitos desconfortos. Preocupado com a situação de seus queridos filhos o Pai, antes de despedi-los para a sua nova vida, faz o que ninguém esperava e demonstra pela primeira vez o seu amor incondicional (Graça) vestindo-os, sacrificando para isso um animal, o primeiro de milhões de inocentes, que daquele momento em diante seriam atingidos pela tragédia provocada pelo homem. As peles utilizadas como roupas, até então desnecessárias, não cobrem a vergonha até a pouco inexistente. Já vestidos se sentiam mais nus do que quando nus estavam. Atrás deles o barulho do portão do Jardim se fechando, a comunhão perdida e o coração partido do Pai. Na frente deles a escuridão da longa noite que começaria. A despedida, a tristeza, a dor e as lágrimas certamente foram criadas naquele dia e até então são companheiras quotidianas.

Do lado de cá do jardim, continuamos a ser o alvo do amor incondicional do Deus Pai, que nunca desistiu dos seus amados e mesmo antes da Queda já havia preparado um plano de resgate, pois assim como não tivemos condições de nos manter lá dentro, pela nossa própria capacidade, é certo que por ela, para lá, também não conseguiremos voltar, más é da vontade de Deus que todos voltem, desde que queiram.

Agradou ao próprio Deus usar a nós mesmos para divulgação desse seu plano de resgate, ”como tesouros em vasos de barro”, o que parece loucura, más na verdade é o poder do próprio Deus atuando para levar de volta para Ele aqueles que são dele e que confiarem nesse projeto, cujo nome é EVANGELHO. A certeza de que o plano dará certo é a senha para estar incluído, ou a chave do Jardim. Não há outra possibilidade ou qualquer coisa que se faça para esse fim. É certo que havia um preço a ser pago por esse resgate, aliás um alto preço e o próprio Deus resolveu pagá-lo, para que todos aqueles que crerem (confiarem) voltem ao convívio do Pai.

Jesus afirmou “Eu sou o Caminho a Verdade e a Vida e ninguém vem ao Pai se não for por intermédio de mim” Confie nesse projeto e vamos voltar para o jardim, onde o encontro tomará o lugar da despedida e não haverá mais tristeza, nem dor, nem lágrimas. E nada mais importará só o abraço do Pai.

Ao Deus da Graça toda gloria por tudo!

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Dependência


Deus quando planejou a vida do homem idealizou-a para ser vivida em comunidade e por esta razão absolutamente nenhuma criatura tem cem por cento de autonomia e de independência, tal condição só o próprio Criador detém.

Isso se constata já antes do nascimento. Fato fácil de ser observado, é que até hoje ninguém se autoconcebeu. Todos dependeram da iniciativa e do corpo de outras pessoas para virem ao mundo, o próprio Jesus, que tem poder para isso, não o fez, dependendo do corpo de uma jovem para vir ao mundo.

Não apenas na concepção, más durante a gestação a dependência continua, pois a criança se alimenta do que a mãe ingere e a sua vida depende da vida no corpo da mãe. Após o nascimento a dependência não acaba, pelo contrário, se acentua ainda mais, já que o recém nascido não anda, não fala e não sobreviveria sem os cuidados dos pais. Com o passar do tempo e o crescimento, a relação de dependência em relação aos adultos vai mudando, os pais vão orientando a criança a se cuidar sozinha, até que ela possa se alimentar, se vestir e cuidar do seu corpo sem a interferência de outras pessoas.

Ao atingir a idade adulta o ser humano já se sente independente e pode se cuidar, más ao contrário do que muitos pretendem, essa independência não é geral, nem irrestrita. O modelo que Deus escolheu continua em vigor, para crentes e ateus. Por mais que nos julguemos autônomos isso nunca será verdade, pois estamos sempre dependendo de alguém. A relação de dependência do ser humano em relação aos outros não acaba, por mais que a sociedade tente por fim a ela, e isso pode ser notado nas coisas mais comuns do quotidiano, se não vejamos:
Quando estamos esperando a nossa vez numa fila de supermercados dependemos da pessoa que está atendendo, para que chegue a nossa vez. As mercadorias que estão no carrinho de compras só chegaram à gôndola de onde as retiramos porque alguém as colocou lá, à nossa disposição. Sem contar que antes disso ocorreu todo um processo comprometidas por etapas como fabricação, embalagem, transporte, que por mais automação a que estejam submetidos hoje em dia, no mínimo, dependeram de alguém para apertar um botão.

Não há nenhum setor da sociedade no qual vivamos que não inclua a dependência de pessoas. Se acionamos um interruptor em nossa casa e uma lâmpada acende, milhares de pessoas estiveram envolvidas para que isso ocorresse. O mesmo ocorre quando abrimos uma torneira e usamos a água tratada que sai dela. Em toda e qualquer outra atividade o ciclo de dependência de outras pessoas estará sempre presente.

Obviamente algumas dependências de pessoas são facultadas, por conforto ou por outros motivos, como é o exemplo de alguém que é servido em casa por empregados, o que não se dá por necessidade, já que qualquer adulto capaz pode colocar comida no próprio prato e encher o próprio copo.

Agora vamos mexer na ferida. A questão da dependência passa a ser prejudicial em pelo menos duas circunstâncias. A primeira é quando a pessoa se julga totalmente independente, ignorando a existência e a importância de outros que contribuem para o bem estar comum. Colaboradores sem os quais produtos e serviços não estariam disponíveis para uso da sociedade. Há um tipo de gente que só é grata ao dinheiro que possibilita comprar. Gente embriagada de poder, só respeita a riqueza que conduz o mundo aos seus pés, segundo entendimento obtuso.

A segunda, e talvez pior, é quando as pessoas querem depender de outros para algo que elas mesmas podem fazer e ficam esperando ou procurando alguém que assuma as suas responsabilidades. É muito comum vermos pessoas atribuindo a Deus, ao governo e a quem mais aparecer, a culpa por tudo de errado que os cerca. Esse mesmo tipo de pessoa está esperando que Deus, ou o governo, ou o patrão assumam as responsabilidades que teriam perante elas mudando a sua situação. São portadoras do que podemos chamar de dependência fraudulenta. “Encostados” que sofrem o dês-serviço das circunstâncias, eternas vítimas da vida, aguardando o surgimento de um “salvador da pátria” trazendo uma solução mágica, uma “oração forte” ou alguma outra saída, desde que não as comprometa com muito empenho, disciplina e continuidade. Importa para elas que no fim sejam servidas em suas “necessidades” e nada de sofrimento, pois “Cristo já levou as nossas dores”.

É muito dificil de assimilar quando alguem procura alguma forma de ter a sua falta de empenho compensada por um milagre, como aqueles onde os curriculuns de pessoas melhores preparadas são deixados de lado e o delas é que deve ser escolhido, para comprovar “a diferença entre o que serve e o que não serve a Deus”.

Em outros casos estão orando, para que o juiz não leve em conta ou não veja os detalhes de crimes cometidos por seus filhos, que um anjo esconda o processo fazendo falhar a justiça do homem para absolvição de crimes e que Deus mude as sentenças, pedindo que ele aja como um juiz iníquo, alegando que “não é levado em conta o tempo da nossa ignorância” ou algum outro versículo que lembre (e cobre) a bondade de Deus, admoestando-o a agir em concordância com o entendimento que temos da Palavra.

Podemos então concluir que há uma dependência nociva ao homem, por não o estimular a agir com responsabilidade diante das circunstâncias desfavoráveis da vida e não permitir o seu desenvolvimento enquanto pessoa e cidadão. Infelizmente este tipo de dependência é incitado por agentes que promovem um evangelho paternalista, do tipo “deixem as suas cargas com Jesus e peguem o seu julgo que é leve e suave”, infelizmente esse discurso leva alguns a deixarem as cargas e transferirem as responsabilidades para Jesus.

Podemos também entender que há sim uma dependência profícua e aprazível, encontrada na providência de Deus para as nossas verdadeiras necessidades. Onde não pretendemos abusar da bondade do nosso Pai, nem usar a fé que nos foi dada, tão somente, como trampolim para saltar sobre as condições adversas que nos sobrevêm ou como uma varinha mágica que manipula as realidades em nosso favor, ainda que tudo seja possível ao que crê, devemos nos lembrar do “seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” Amém!

Ao Deus da Graça, toda gloria, por tudo!




Dunamis!

Comando, domínio, controle sobre fatos e circunstâncias são aspirações humanas. Desejos que não são de origem contemporânea, na verdade existem desde os primórdios da humanidade e são motivados, hora pela falta de certeza existente em relação ao futuro, hora por situações do presente que prejudicam o curso da vida. Ter acesso ao poder de mudar as possibilidades ou de alterar as ocorrências que nos desgostam é um sonho antigo, motivando no passado a busca pela pedra filosofal, as tentativas de criar o elixir da longa vida e também tem determinado a maioria das invenções e descobertas da atualidade.

A primeira grande catástrofe relatada na história foi o dilúvio. O evento submeteu, pela primeira vez, a humanidade a uma ocorrência de proporções gigantescas, caracterizada por estar totalmente fora do seu controle ou vontade. Deus soberanamente decidiu pela cheia, dando para isso justificativas, que como Deus nem necessitava apresentar, más humildemente o fez (Gn 6:13). Logo após este acontecimento a sociedade se reuniu para construir a Torre de Babel, tentando a famosa ´volta por cima´ para manter as situações sob controle, e deram como explicação para a empreitada o desejo de não serem espalhados sobre a terra (Gn 11:4) Indo, mais uma vez, frontalmente contra uma determinação de Deus (Gn 9:1) Resultado da peleja? A sociedade foi dividida. E daí em diante não falaram mais o mesmo idioma.

Desde então se tornou insofismável o desejo de controlar o incontrolável, e fazer compreensível o que vai além do (indesejável) limite da compreensão humana.

Ninguém quer ser vitima das circunstâncias, todos querem manipular os acontecimentos, para se livrar do inevitável. A interminável busca pelas chaves que controlam o universo fez com que a humanidade, nas muitas vezes que as alcançou, girasse as mesmas para o lado errado, trazendo sobre si outras circunstâncias menos desejosas do que as primeiras. Como podemos notar em nossos dias pelo efeito estufa, que pode ser citado como um entre outros milhares de outros exemplos.

Vale lembrar que muito antes de nós, uma outra criatura também tentou girar essas chaves, achando que teria mais sucesso do que o Criador delas (e dele!) (Is 14:13) E não é de se espantar, que o infeliz, também acabou por colher conseqüências terríveis desses intentos (Is 14:15).

Comprovadamente a criatura, seja anjo ou homem, não sabe lidar com o poder. Alguém já disse que “só é digno do poder quem o despreza”. Porém, difícil coisa é encontrar esse tipo de pessoa, e na igreja o grau de dificuldade parece que aumenta. Quem não quer ter o poder de saber o que ocorrerá no futuro (profecia)? Ou quem não quer ter poder sobre as enfermidades? Ou ainda, poder para acabar com as dificuldades da vida, como as financeiras, por exemplo? Ou poder político para mudar situações como do aborto e da homosexualidade. É só mostrar as chaves que abrem e fecham essas possibilidades e os crentes farão o que for necessário para ter acesso a elas e girá-las. Isso explica, em parte, porque muitos buscam os dons do espírito, usam o nome de Jesus e são dizimistas. Acrescente a esse cenário as distorções no sentido de alguns versículos, como: “posso toda as coisas naquele que me fortalece” e veja no que deu: Um número imenso de pessoas acreditando que não serão mais vencidas por acidentes ou enfermidades, com poder para estar acima das fatalidades e arrogantemente crendo que sempre terão sucesso em tudo.

Discursos convincentes, contendo fórmulas de acesso a esse poder, fazem lotar auditórios, na maioria das vezes, com pessoas atraídas pela possibilidade de alterar fatos e circunstâncias de suas vidas, situações que somente por interferência divina poderiam mudar. Ao final de cada uma destas reuniões há de um lado os afortunados que recebem as mudanças pretendidas e que são candidatos aos programas de entrevistas, onde darão com detalhes os seus testemunhos de vitória. Más do outro lado, há uma maioria, não convidada para dar entrevistas, e que pela fé continuará tentando nas próximas reuniões ou campanhas. Pior ainda, há um terceiro grupo de pessoas que não voltará mais, pois para estes já é tarde, até mesmo para um milagre. Na atual conjuntura é conveniente que este terceiro grupo seja mantido longe das câmeras e dos microfones, pois não fazem parte dos cases de sucesso, são os excluídos do evangelho toma-lá-dá-cá, deram e não receberam, portanto contrariam e ameaçam o triunfalismo e as afirmações de poder alardeadas.

Infelizmente, para sustentar esse discurso e manter a “esperança” do rebanho, há quem não hesite em lançar a culpa na falta de fé ou no pecado dos que fracassaram, que não tiveram os méritos necessários para vencer.

É bom lembrar que Jesus chamou atenção da multidão ao ser procurado apenas pelo pão que ele multiplicava (poder) e não por causa de quem ele é. Há diferença nos dias de hoje? Por que a multidão se achega às igrejas? E quando chegam, estão sendo orientados a buscar a face do Senhor e conhecerem o seu amor ou somente a desejarem o que está na sua mão e o que pode ser conquistado com o seu poder? É bom e urgente pensarmos nas respostas. (Mt 7:22)

Ao Deus da Graça, toda gloria, por tudo.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

A Maior Dor do Mundo


Qual a maior dor do mundo? Várias respostas poderão surgir a esta pergunta. Vamos imaginar algumas?

A maior dor do mundo pode ser encontrada no coração de uma mãe que retira da gaveta as roupas do filho que acabou de ser sepultado (Pedaço de mim - Chico Buarque). A dor da perda. Ou será que a maior dor que ela possa ter sentido foi quando ele nasceu? A dor do parto. Talvez a maior dor do mundo esteja no coração de alguém que chora a perda de um grande amor, que junto consigo levou todos os sonhos e planos de um dia constituir um lar. A dor da desilusão. Talvez o coração mais dolorido seja mesmo o de quem está sofrendo um infarto nesse momento. A dor da doença.

Alguém lá dá África pode gritar:

- Ei!! A maior dor do mundo está aqui! Olhem para estas crianças que não comem há vários dias. Pode existir dor maior do que esta? A dor da fome e do abandono.

Também podemos voltar nossa atenção para países de primeiro mundo, onde adolescentes de mesas fartas, achando que não são mais crianças, tentam sufocar nas drogas, álcool e sexualidade a sua dor pela percepção da própria existência. A dor da falta de esperança. Podemos também pensar que os pais deles reclamam para si a maior dor do mundo, por verem os filhos nessas condições. A dor da impotência.

É fato também, que nesse momento, dentro de milhares de ventres ocorrem os mais terríveis gritos mudos de bebês, que não puderam perceber outra coisa se não a rejeição e o egoismo de pessoas que tiveram a chance de nascer, e hoje determinam que sondas ou alguns tipos de venenos ponham fim a essas vidas, que para os insensíveis nem começaram. A dor sem nome.

Qual seria a maior dor do mundo?

Talvez numa cela fria e solitária ela possa ser encontrada. Lá alguém que não se adequou a essa sociedade, desprezado, paga pelos seus crimes e sente a dor do devedor. Talvez, dor maior ainda esteja na cela vizinha, onde outra pessoa está pagando por crimes que não cometeu. É a dor do injustiçado.

Se voltarmos no tempo encontraremos o homem que dividiu a História, abandonado por seus amigos, pendurado em uma cruz, preso por cravos nas mãos e pés, horas antes sozinho num jardim já havia suado sangue, sentindo dor pela dor de toda a humanidade. Talvez ali estivesse a maior dor do mundo. A dor do pecado. Chega!! A nossa mente quer gritar, pois a percepção ou aproximação da dor já causa dor em nós. A dor do outro.

Todo sofrimento gera dor e vice-versa. Sempre preferimos distância de ambos - A dor de não sentir dor.

Qual será a maior dor do mundo? Alguém pode ler essa crônica e ainda dizer: A minha.

A psicologia tenta explicar que todos querem ter a sua dor percebida e respeitada em busca de algum alívio, más isso não alivia nada... E isso é porque, definitivamente, não fomos feitos para a dor nem a dor feita para nós. É em razão da queda do homem e da trajetória escolhida pela humanidade que a dor tem estado e estará presente nas circunstâncias da vida e será percebida por todos, crentes ou descrentes.

Aos crentes a Bíblia afirma que haverá uma solução final e definitiva para esse mal. Um tempo em que não haverá mais dor. Aos que não crêem ainda, cabe o convite: Vamos caminhar para esse tempo?

Ap 21:3-4 “Ouvi uma voz que vinha do trono e dizia: Agora o tabernáculo de Deus está com os homens, com os quais Ele viverá. Eles serão o Seu povo, estará com eles e será o seu Deus. Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou.”