sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Educação sexual, quem faz? Família, Igreja ou Estado?




Chegou a noticia de que alguns cristãos estão presos na Alemanha por impedirem os filhos de irem à escola, por causa das aulas de educação sexual.

Segundo pode ser visto em alguns sites e blogs, as aulas de educação sexual são com os costumeiros pragmatismo e objetividade alemã, como podem ver.
As aulas são acompanhadas de uma peça “Mein Körper gehört mir” (Meu Corpo É Meu) que além de reforçarem os conteúdos da cartilha, também serviria como uma espécie de “vacina” para ensinar as crianças a se protegerem contra a pedofilia.

O assunto é extremamente delicado. O Estado alemão, como outros governos, registra o crescimento da atividade sexual entre adolescentes e, por conseqüência, proporcionalmente a quantidade de gravidezes indesejadas e de casos de DSTs, onerando os gastos sociais e causando prejuízos irreparáveis às vidas desses adolescentes. Os índices, aliados a alguns estudos e pesquisas entre as “vítimas”, fizeram as autoridades entender que as famílias não fazem direito a lição de casa, não preparando devidamente os filhos para lidar com o assunto, razão que os fez interferir, criando um programa educacional para fazer a criança entender a realidade do sexo e as possíveis conseqüências da atividade sexual.
O agravante aqui é que por ser um país de primeiro mundo a Alemanha tem leis muito rígidas e um código de execução penal idem, que prevêem penas severas responsabilizando pais cujos filhos não freqüentarem a escola, sem as justificativas previstas.
Entendendo que esse modelo de educação não era adequado para os seus filhos, 8 famílias cristãs impediram os filhos de assistirem as aulas e por isso foram enquadradas no que prevê a lei alemã. Segundo os pais o modelo de aula pode surtir efeito contrário ao esperado, pelo governo, e fazer com que as crianças tenham a libido despertada precocemente, por isso, acham imoral e condenável esse modelo. A batalha jurídica está estabelecida. Veja os detalhes http://familianazare.blogspot.com/2009/06/pais-alemaes-condenados-depois-de.html

Aqui no Brasil o assunto também já foi motivo de polêmica e as manifestações foram as mais diversas.

O que de fato deve ser considerado?

. As famílias brasileiras sabem orientar os filhos sobre o assunto?
. A Igreja já superou todos os tabus para falar abertamente com os pais e ajudá-los na educação dos filhos?
. Se a educação familiar for eficaz, levando a criança a Cristo, o que for ensinado pelo “mundo” ou na escola será admitido pela criança ou o que os pais ensinarem?

O que de fato pode ser afirmado:
Se a Família e Igreja forem incompetentes nesse papel a sociedade o fará, da forma nociva como temos visto ou com a intervenção do Estado laico.

Em Cristo
Ielton Isorro

Paradoxo







Estava lendo uma postagem no blog do irmão Leonardo http://www.pulpitocristao.com/2010/01/quando-o-evangelho-da-graca-toma-conta.html#comment-form , que traz um trecho do "Evangelho Maltrapilho" de Brennan Manning e fui impelido a registrar o seguinte comentário, que também deixo aqui:


O que escreve Brennan Manning é um golpe firme no fígado do religioso que ainda habita em mim, que vez ou outra levanta-se vislumbrando auferir algum mérito da fé, e é posto diante do escândalo da cruz e do desafio lançado:


"Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me." Lc 9:23


Onde o verbo "siga-me" está submetido ao verbo "negue-se". 


O problema é que dentro de meu peito pulsa um constante "afirme-se";


o mundo grita de todos os lados "afirme-se";


e o diabo sussurra num canto "afirme-se";


enquanto a doce voz insiste "negue-se".
Em Cristo Ielton Isorro

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O Haiti, não é aqui





É... Após a catástrofe no Haiti, parece que em algumas comunidades os sermões desse domingo já estão com o tema definido.

As cartilhas dogmáticas já estão sobre as escrivaninhas e o deus que esmaga criancinhas em baixo de lajes, por que os seus pais não se encurvaram diante dele, mostrará novamente a sua ira sobre os puptos, Brasil afora, chantageando os católicos, umbandistas, espíritas e demais potenciais prosélitos não "evangélicos", antes que a ira dele baixe por aqui.

E ainda têm o disparate de confundirem isso com o Evangelho da Graça, sob o slogam, que diante desses argumentos parece cínico: “Jesus te Ama”.

Quanta incoerência!

Em Cristo,

Ielton Isorro



quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Evangélicos: Filhos da rebeldia e insurreição




Por Abel Garcia Garcia

América Latina adora governos controladores e ditatoriais. Nós gostamos mesmo é de ser dominados com mão forte e pisoteados por botas sujas de lama, de fazer testes de sobrevivência e de viver com salários paupérrimos. Por fora, desejamos a liberdade mas lá no fundo, nas profundezas do nosso coração, nós adoramos aos Chávez, Velascos, Fujimoris, Pinochets e Ortegas. Por isso que a versão do cristianismo que prioriza o controle prosperou em nossos países. O pentecostalismo, cheio de pastores estritos e exigências de submissão injustificáveis que o povo aceita de boa vontade, é um perfeito exemplo, quase ideal – apesar da “igualdade” que a democratização dos dons proporcionou. Seu crescimento continuará, porque sua proposta combina com o espírito latino, carente da figura paterna e abundante de deuses débeis e servis.

Todo esquema controlador é implantado por etapas, é suave no início, mas acaba por satanizar os seus críticos, enquanto venera as estruturas opressoras como se fossem um santuário incólume que deve se manter pelos séculos dos séculos! Os líderes tem características especiais, cada vez mais altas e mais próximas do “céu”. Os apóstolos de hoje são um claro exemplo: intocáveis, semi-onipotentes, movidos pelo desejo de controlar, razão pela qual desejam ter várias congregações. Um sinergismo perfeito onde todos – aparentemente – estão felizes. O problema é que estar feliz não significa estar bem.

Alguns de nós não enxergam essa estrutura como padrão do céu, antes, com certo temor, entendemos que a igreja assume um grande risco e pode pagar um alto preço por causa do modelo implantado. Cremos que uma relação vertical com o clero não faz bem aos leigos, desumaniza pessoas, não permite que os crentes se desenvolvam e os converte literalmente em rebanho. Contudo, entendemos que esta superação pode levar alguns anos mais. Não, muitos, mas alguns... A tecnologia e a facilidade de interligar pessoas pode acelerar essas transformações.

Enquanto as coisas vão mudando, outros apressam o processo, em aberta oposição ao status quo. É óbvio que a liderança reage, identificando seus oponentes como agentes de satanás. Eles tratam de proteger as estruturas eclesiásticas, proibindo toda crítica, acusando os dissidentes de viverem uma espiritualidade rasa, gente rebelde cujas palavras devem ser ignoradas. Nem quero pensar o que aconteceria se ainda estivessem vigentes os métodos de tortura da época da “santa” inquisição.

Rebeldia e insurreição são, no atual sistema eclesiástico, obscenidades anti-valores dignos de pessoas ímpias, ou de ateus que nada sabem acerca de Deus. Porém, o grande paradoxo é que, caso estas atitudes não tivessem existido na história da igreja, nós ainda estaríamos pagando por indulgências. Se não houvesse rebeldia e insurreição, Lutero jamais teria publicado suas 95 teses, Savonarola continuaria silencioso em seu mosteiro, passivo diante da degeneração dos Borgia, e Calvino nunca teria elaborado sua teologia. Sem rebeldia, nós – evangélicos – sequer existiríamos. Seríamos católicos, ou qualquer outra seita pseudo-cristã, que só em pensar dá calafrios. Se não houvesse revolta e enfrentamento contra o institucionalismo religioso, não existiria uma igreja evangélica. Somos, portanto, filhos da insurreição, e gostemos ou não, isso é o que nos faz diferentes dos outros grupos cristãos. Essa atitude de repaginar o cristianismo deve marcar o nosso caminhar. Logo, rebeldia não pode mais ser considerada uma palavra má.


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Abel Garcia é professor no Centro Evangelico de Misiologia Andino-Amazonico e editor do blogTeonomia. Traduzido por Leonardo Gonçalves, para o Púlpito Cristão






    segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

    Qual é mais fácil? dizer: Os teus pecados te são perdoados; ou dizer: Levanta-te, e anda?




    O mundo e a época em que vivemos são orientados por resultados. Muito pouco se faz não pensando no binômio “plantar e colher”.  E esse “colher” é calculado de acordo com o “plantar”. Planta-se trabalho esperando salário, amor por mais amor, amizade em busca de mais amizade, carinho aguardando carinho, atenção esperando atenção. É uma realidade calculável de ação e reação. Tal interpretação da realidade transfere-se para a espiritualidade das religiões carmicas ou não. Na visão evangélica não tem sido diferente. O relacionamento com Deus, estimulado pela interpretação que a igreja tem da Palavra, também, está contaminado com esse pensamento do “toma-lá-dá-cá”. Interpreta-se um Deus que para ser Deus está condicionado a uma série de ações nossas, inclusive, com reações plenamente calculadas pelos seus seguidores. Um Deus plenamente previsível e calculável.

    Assim, os discursos vão ficando prontos. “É impossível Deus não abençoar se você fizer isso, ou aquilo”; “Deus fez isso porque fulano fez aquilo”; “Se você fizer isso, com certeza, Deus fará aquilo” ou ainda o absurdo “se Deus não fizer isso eu rasgo a minha Bíblia”. Tudo com fé, é claro, pois planta-se fé e espera-se colher resultados. Não que a fé não traga resultados, é claro que traz! Porém não são os que esperamos ou determinamos, más os que Deus determina e que certamente são melhores do que poderíamos calcular.

    No texto de Lucas 5:23 Jesus dirige-se aos escribas e fariseus, que escandalizaram-se por ele ter afirmado ao paralítico “Homem, os teus pecados te são perdoados” e faz a intrigante pergunta: “Qual é mais fácil? dizer: Os teus pecados te são perdoados; ou dizer: Levanta-te, e anda?” Não é necessário discorrer aqui sobre os motivos daquele grupo ter se escandalizado. Eles na reconheciam quem Jesus era e pronto. Más vale a pena transportarmos essa cena para os dias de hoje e imaginarmos um desses curandeiros evangélicos levando o paralítico a Jesus. Certamente eles diriam “Ufa! Ainda bem que teve a segunda parte, já pensou se ele não honra-se a nossa fé e só perdoasse os pecados do indivíduo o que é que iríamos mostrar na TV?” 

    Essa é a realidade que a igreja prega nos dias de hoje, resultados imediatos, prosperidade, benção, milagres.
    Perdão de pecados e salvação é muito pouco, pra essa gente, e não tem atrativo nenhum, pois as “necessidades” são muito maiores.
    A platéia pede mais sinais de que Deus é Deus mesmo e tem muito “homem de Deus” e “mulher de Deus” prontos a pressioná-lo a fazer isso, com jejuns, campanhas, orações, desafios e mais uma outra porção de ferramentas que são manipuladas com essa finalidade. Nessa maré vão os tolos e os espertos.

    Tratam Deus como os profetas de Baal tratavam seu deus (I Reis 18:26-29). O mais terrível é que quando Deus, por sua bondade sem fim, faz os milagres, essa turma afirma que ele o fez como resultados de suas ações de “fé” e de seus “atos proféticos”, não porque Ele é bom e quer abençoar. E por isso realimentam essas práticas, pois como está dando certo, para que Ele faça ainda mais, “quanto mais fizermos, mais ele fará” e encaram esses resultados como mérito da fé e não como graça irrestrita de Deus.

    O maior produto da fé, que nos foi dada gratuitamente, é a salvação operada pelo sacrifício da Cruz e conseqüentemente o perdão dos nossos pecados. A falta de contentamento, a ganância e a busca da satisfação dos nossos prazeres querem nos impulsionar a fazer com que utilizemos a nossa fé para direcionar Deus, com seu poder, a satisfazer-nos. Agrava-se mais ainda o quadro, quando alguém que se diz constituído por Deus distorce o texto bíblico para afirmar que isso é possível, afinal está escrito “Tudo o que pedir-des ao Pai em meu nome, crendo, será feito.” Não consideram, os incautos, que há uma série de condições impostas por Deus para que isso aconteça. Deus não se coloca a serviço da fé que Ele me deu. É ao contrário! Eu é que me coloco a serviço dessa fé, que produz em mim transformação e por conseqüência no mundo ao meu redor. (Tiago 2:17)

    Em Cristo


    Ielton Isorro