terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

O Pastor e o Cajado.



O desafio desse artigo é discorrer um pouco sobre essas duas importantes figuras de linguagem, utilizadas na Bíblia Sagrada. Ambas trazidas do contexto dos campos e dos rebanhos, ambientes comuns aos seus escritores e primeiros leitores, para possibilitar àqueles e a nós um melhor entendimento das verdades absolutas que Deus pretende ensinar.

Termos são desgastados pelo uso e pelo tempo. Não é diferente o efeito dos dois nos casos de “pastor” e “cajado”, que nesse momento da História recebem conotações distantes das originais. Se não, vejamos:

O primeiro termo, “pastor” foi institucionalizado como cargo e infelizmente caiu na vala comum dos sem caráter, que usurparam o título em prol de si mesmos, tornando-se profissionais da fé evangélica, em nome da qual fizeram suas carreiras e insensatamente construíram imensos patrimônios pessoais, com o dinheiro das ofertas do povo ou com o lucro de mercadorias vendidas em nome dessa fé, sob a argumentação de que tais arrecadações de recursos serviriam para pregar o evangelho, o que se revelou, depois, como pura falácia.

Esse quadro se acentuou drasticamente nos últimos 40 anos, nos Estados Unidos e aqui no Brasil, tornando-se escândalos públicos e notórios, manchando o nome da igreja e envergonhando os que trabalham corretamente.

Por causa dessa corja de aproveitadores, corre à boca pequena que “montar uma igreja evangélica é um grande negócio para quem quer ganhar dinheiro” e alguns assim o fazem. Há várias pequenas igrejas que existem com a finalidade de sustentar os seus “donos”, auto proclamados bispos e apóstolos.

E ainda que pese o fato de muitos militarem honestamente e viverem de salários dignos, ou não, pagos pelas comunidades pastoreadas por eles, e de outros que sequer recebem alguma coisa para exercer essa função, poucos olham para um pastor e o tem como honesto.

Essa conotação pejorativa dada ao termo “pastor” deve-se aos do primeiro grupo. Os tais, por ostentam posses incompatíveis com a função exercida e serem pilhados em situações, no mínimo, suspeitas, são tidos e havidos pela sociedade como espertalhões que enriquecem com a boa fé dos que caem na sua lábia. Essa mesma sociedade, por inúmeras vezes, tem como “farinha do mesmo saco” os que ainda dedicam verdadeiramente  sua vida ao Evangelho e a pastorear igrejas, mas que são contados, também, como vigaristas, ainda que nada devam a ninguém, só porque carregam um “cargo” que a sociedade já rotulou como de “ladrão”.

O termo “cajado”, também já foi distorcido. Apesar de que esse, por ser mais “igrejeiro”, não é tão difundido fora da igreja. Más é justamente dentro dela que ele tem perdido o seu sentido original, com as tais “cajadadas”.

O cajado utilizado pelos pastores de ovelhas, que é a figura de linguagem utilizada nos textos bíblicos, é uma vara que tem em uma das extremidades um gancho, como um cabo de guarda-chuva. A ferramenta visa, ao menos, três aplicações: Corrigir, puxando para perto de si com o gancho, as ovelhas que queiram ir para outro caminho, diferente do indicado; Apoiar o peso do próprio pastor nos terrenos mais difíceis, ajudando-o a ficar de pé; E espantar os predadores que se aproximavam do rebanho, para fazer dele seu alimento.

O verdadeiro pastor de igreja tem na Bíblia o que o pastor de ovelhas tinha no cajado. É ela quem o ajuda a corrigir o membro da comunidade que teima em fazer outro caminho; É nela que o pastor encontra apoio nos momentos difíceis da sua própria vida, para desempenhar os papéis que lhe competem; E é nela que o pastor encontra recursos para não deixar o inimigo se aproximar e defraudar o “rebanho” cuidado por ele.

Em ambos os casos o pastor não tem o direito de atacar ou ferir as ovelhas, pois essas não lhe pertencem e precisam de sua orientação para chegarem ao destino proposto pelo dono do rebanho, que no caso da Igreja é o próprio Deus.

Cabe ao pastor o papel de guardar o rebanho contra o inimigo, que sempre quer arrastar o que for possível para o matadouro, más nem sempre aparece em pele de lobo.
Nos dias de hoje, com o acesso que as pessoas têm aos meios de comunicação, o trabalho do pastor é dobrado, pois pelas ondas de rádio e TV, bem como pela internet difunde-se uma enorme quantidade de informação que ludibriam o entendimento e desviam da verdadeira fé. É nessa hora que o pastor deve manusear bem a Espada da Verdade e usá-la como arma de ataque contra tudo o que se opuser à vontade de Deus, para denunciar os falsos mestres, os falsos profetas e preparar as pessoas para enfrentarem esses tempos, onde lobos em pele de lobo e lobos em pele de ovelha estão à espreita.

Houve dias em que o inimigo era identificado pela aparência e era relativamente fácil orientar as pessoas dizendo-lhes, coisas do tipo: ”Cuidado com as novelas da Globo, que deturpam valores” ou “É melhor que não assistam a determinados filmes” entre outras coisas do gênero. Tudo isso ainda hoje é válido, e acrescenta-se a necessidade de sinalizar o cuidado com determinados programas “evangélicos” de rádio e TV, mais uma porção de sites e até de músicas gospel,  que juntamente com o evangelho e com os ensinos dos apóstolos pretendem difundir modismos e falsas doutrinas como as da prosperidade, da batalha espiritual e da confissão positiva, atraindo ovelhas e bodes para os seus apriscos, ou seriam matadouros, onde vão tirar suas lãs, suas peles e comerem a sua carne? 
Pelo exposto, urge aos verdadeiros pastores usar bem o cajado, para não caírem, tanto quanto para orientar e proteger o rebanho.

Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos.” Jd 3

No Amado
Ielton Isorro

3 comentários:

rev. Digão disse...

É, o pastorado, hoje em dia, cada vez mais se torna um fardo pesadíssimo, quase impossível de se carregar.

Ielton Isorro disse...

É Digão... Nesses tempos fala-se muito pouco em vocação, além da qtd de gente despreparada que exerce o pastorado.

Ielton

Anônimo disse...

Olá, gostei muito de seu blog.
Vamos contribuir para o Reino.