O desafio
desse artigo é discorrer um pouco sobre essas duas importantes figuras de linguagem, utilizadas
na Bíblia Sagrada. Ambas trazidas do contexto dos campos e dos rebanhos, ambientes
comuns aos seus escritores e primeiros leitores, para possibilitar àqueles e a
nós um melhor entendimento das verdades absolutas que Deus pretende ensinar.
Termos são
desgastados pelo uso e pelo tempo. Não é diferente o efeito dos dois nos casos de
“pastor” e “cajado”, que nesse momento da História recebem conotações distantes
das originais. Se não, vejamos:
O primeiro termo,
“pastor” foi institucionalizado como cargo e infelizmente caiu na vala comum dos sem
caráter, que usurparam o título em prol de si mesmos, tornando-se profissionais
da fé evangélica, em nome da qual fizeram suas carreiras e insensatamente construíram
imensos patrimônios pessoais, com o dinheiro das ofertas do povo ou com o lucro
de mercadorias vendidas em nome dessa fé, sob a argumentação de que tais
arrecadações de recursos serviriam para pregar o evangelho, o que se revelou,
depois, como pura falácia.
Esse quadro
se acentuou drasticamente nos últimos 40 anos, nos Estados Unidos e aqui no Brasil,
tornando-se escândalos públicos e notórios, manchando o nome da igreja e
envergonhando os que trabalham corretamente.
Por causa
dessa corja de aproveitadores, corre à boca pequena que “montar uma igreja
evangélica é um grande negócio para quem quer ganhar dinheiro” e alguns assim o
fazem. Há várias pequenas igrejas que existem com a finalidade de sustentar os
seus “donos”, auto proclamados bispos e apóstolos.
E ainda que
pese o fato de muitos militarem honestamente e viverem de salários dignos, ou não, pagos pelas
comunidades pastoreadas por eles, e de outros que sequer recebem alguma coisa
para exercer essa função, poucos olham para um pastor e o tem como honesto.
Essa
conotação pejorativa dada ao termo “pastor” deve-se aos do primeiro grupo. Os tais, por ostentam
posses incompatíveis com a função exercida e serem pilhados em situações, no
mínimo, suspeitas, são tidos e havidos pela sociedade como espertalhões que
enriquecem com a boa fé dos que caem na sua lábia. Essa mesma sociedade, por
inúmeras vezes, tem como “farinha do mesmo saco” os que ainda dedicam
verdadeiramente sua vida ao Evangelho e
a pastorear igrejas, mas que são contados, também, como vigaristas, ainda que
nada devam a ninguém, só porque carregam um “cargo” que a sociedade já rotulou
como de “ladrão”.
O termo
“cajado”, também já foi distorcido. Apesar de que esse, por ser mais “igrejeiro”, não
é tão difundido fora da igreja. Más é justamente dentro dela que ele tem
perdido o seu sentido original, com as tais “cajadadas”.
O cajado
utilizado pelos pastores de ovelhas, que é a figura de linguagem utilizada nos
textos bíblicos, é uma vara que tem em uma das extremidades um gancho, como um
cabo de guarda-chuva. A ferramenta visa, ao menos, três aplicações: Corrigir,
puxando para perto de si com o gancho, as ovelhas que queiram ir para outro
caminho, diferente do indicado; Apoiar o peso do próprio pastor nos terrenos
mais difíceis, ajudando-o a ficar de pé; E espantar os predadores que se
aproximavam do rebanho, para fazer dele seu alimento.
O
verdadeiro pastor de igreja tem na Bíblia o que o pastor de ovelhas tinha no cajado.
É ela
quem o ajuda a corrigir o membro da comunidade que teima em fazer outro
caminho; É nela que o pastor encontra apoio nos momentos difíceis da sua
própria vida, para desempenhar os papéis que lhe competem; E é nela que o
pastor encontra recursos para não deixar o inimigo se aproximar e defraudar o
“rebanho” cuidado por ele.
Em ambos os
casos o pastor não tem o direito de atacar ou ferir as ovelhas, pois essas não lhe
pertencem e precisam de sua orientação para chegarem ao destino proposto pelo dono
do rebanho, que no caso da Igreja é o próprio Deus.
Cabe ao
pastor o papel de guardar o rebanho contra o inimigo, que sempre quer arrastar o que for possível para o matadouro, más nem sempre aparece em pele de lobo.
Nos dias de hoje, com o acesso que as pessoas têm aos meios de comunicação, o trabalho do pastor é dobrado, pois pelas ondas de rádio e TV, bem como pela internet difunde-se uma enorme quantidade de informação que ludibriam o entendimento e desviam da verdadeira fé. É nessa hora que o pastor deve manusear bem a Espada da Verdade e usá-la como arma de ataque contra tudo o que se opuser à vontade de Deus, para denunciar os falsos mestres, os falsos profetas e preparar as pessoas para enfrentarem esses tempos, onde lobos em pele de lobo e lobos em pele de ovelha estão à espreita.
Nos dias de hoje, com o acesso que as pessoas têm aos meios de comunicação, o trabalho do pastor é dobrado, pois pelas ondas de rádio e TV, bem como pela internet difunde-se uma enorme quantidade de informação que ludibriam o entendimento e desviam da verdadeira fé. É nessa hora que o pastor deve manusear bem a Espada da Verdade e usá-la como arma de ataque contra tudo o que se opuser à vontade de Deus, para denunciar os falsos mestres, os falsos profetas e preparar as pessoas para enfrentarem esses tempos, onde lobos em pele de lobo e lobos em pele de ovelha estão à espreita.
Houve dias
em que o inimigo era identificado pela aparência e era relativamente
fácil orientar as pessoas dizendo-lhes, coisas do tipo: ”Cuidado com as novelas
da Globo, que deturpam valores” ou “É melhor que não assistam a determinados
filmes” entre outras coisas do gênero. Tudo isso ainda hoje é válido, e
acrescenta-se a necessidade de sinalizar o cuidado com determinados programas
“evangélicos” de rádio e TV, mais uma porção de sites e até de músicas gospel, que juntamente com o evangelho e com os
ensinos dos apóstolos pretendem difundir modismos e falsas doutrinas como as da
prosperidade, da batalha espiritual e da confissão positiva, atraindo ovelhas e
bodes para os seus apriscos, ou seriam matadouros, onde vão tirar suas lãs,
suas peles e comerem a sua carne?
Pelo exposto, urge aos verdadeiros pastores usar
bem o cajado, para não caírem, tanto quanto para orientar e proteger o rebanho.
“Amados,
procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive
por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi
dada aos santos.” Jd 3
No Amado
Ielton Isorro

3 comentários:
É, o pastorado, hoje em dia, cada vez mais se torna um fardo pesadíssimo, quase impossível de se carregar.
É Digão... Nesses tempos fala-se muito pouco em vocação, além da qtd de gente despreparada que exerce o pastorado.
Ielton
Olá, gostei muito de seu blog.
Vamos contribuir para o Reino.
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