É impressionante o despreparo que a maioria dos artistas gospel demonstram para falar ao público "secular", onde os jargões, clichês e as frases feitas do gueto evangélico não fazem sentido e nem tem o mesmo efeito com o qual estão acostumados em suas apresentações junto ao publico de igreja. Infelizmente, só se prepararam para falar com gente da mesma fé que eles e por isso não têm discurso com profundidade para alcançar o perdido, quando a oportunidade de ser sal fora do saleiro chega.
Os padres não são preparados para falar apenas com católicos, bem como o umbandista/espiritualista também não é preparado para falar apenas com o seu público. É só ver a desenvoltura e a fluidez verbal com que desenvolvem suas idéias quando participam dos programas de TV, sem apresentarem gírias ou clichês dos seus ambientes religiosos, em respeito ao público que não está inserido na mesma cultura que eles.
Já os artistas gospel só têm o jargão igrejeiro e as muletas verbais (como aleluiaaaa, glória a Deus, o fogo vai cair) na ponta lingua, saiu disso naufragam. O mesmo acontece com a maioria do pastores, escritores, professores e demais pessoas da área de comunicação, ligadas à igreja evangélica. Não se mostram preparados para falar ou escrever para aqueles que Jesus mandou alcançar: Os que estão fora da igreja, entre eles os próprios apresentadores ou jornalistas que os entrevistam, pois estes não têm a menor obrigação de conhecer as expressões evangélicas criadas por nós, como "eu profetizo" ou "tomo posse" que, por vezes, até dentro da igreja soam estranho, imagine fora.
Não vemos aí sintomas preocupantes de uma igreja cujo discurso afirma querer alcançar o mundo, e que na prática está cada vez mais eficaz em falar com os de dentro?
Seria por que dentro encontram aceitação fácil para idéias, compreensão dos costumes e aderência para os produtos que querem vender?
Perguntas como estas podem incomodar um pouco, más são uma maneira de olharmos para nós mesmos e para a missão que nos foi confiada, aferindo o quanto estamos encaminhados para o cumprimento dela ou não.
A foto acima é do encontro ecumênico ocorrido no dia 12.12.2010 durante o Domingão do Faustão entre a pastora Ludmila Ferber e o padre Fábio de Melo, ambos artistas da Som Livre, não por
coincidência, gravadora da casa.
Ielton Isorro
Se quiser ler mais sobre o encontro acesse:http://www.pulpitocristao.com/2010/12/ludmila-ferber-e-padre-fabio-melo-no.html#comment-form
4 comentários:
Não me refiro especificamente a esse encontro acima citado pois ainda vou ler a respeito no link deixado, mas creio que no geral os grandes "artistas" do meio gospel entre eles musicos, simples pastores, jogadores de futebol entre outros parecem que buscam muito mais uma aprovação dos homens do que do próprio Deus, alguns na itenção de parecerem super crentes chegam até a inventar formas de parecer que são diferentes de "simples" cristãos com unções, titulos e jargões mas nas suas oportunidades como o próprio texto diz não salgam, outros por outro lado tentando fazer a diferença e deixar certas hipocrisias e preconceitos existentes na propria igreja mas sem sabedoria ultrapassam os limites e pregam algo que a biblia abomina pra justificar suas atitudes, suas corrupções ou até mesmo de seus filhos famosos... acredito que boa parte dessas pessoas iniciaram com uma expectativa verdadeira de pregar o evangelho, mas com o passar do tempo isso deixou de ser prioridade e quando se perde o alvo se toma caminhos estranhos. Acredito que se o foco fosse mais tornar o evangelho conhecido e menos o proprio nome tudo seria mais fácil, ou pelo menos mais correto. Realmente fica dificil falar para não crentes quando eles realmente não são o foco principal.
Vamos usar a linguagem dos funkeiros,funkeiras,popozudas e pagodeiros para evangeliza-los.Boa ideia!!!
Cara, é isso aí. Um diagnóstico preciso da mediocridade do povo evangélico. Tenho notado esta incapacidade crônica de se dirigir ao público em geral (detesto a expressão "secular")como um desrespeito produzido pela postura arrogante e preconceituosa do evanbgélico comum. Precisamos de uma revolução para que venhamos a ser novamente relevantes, interessantes e inteligentes no anúncio de nossa fé.
Anomino, vc não acha que todos os grupos que vc citou desenvolveram a própria linguagem, costumes, cultura e preferências, porque são guetos?
Você não acha que a igreja também, pelos mesmos motivos, está se tornando em mais um desses guetos?
Não seria o propósito da igreja muito mais amplo do que os desses grupos?
Por gentileza, identifique-se caso queira continuar participando dessas conversar.
Ielton Isorro
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