quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Deus e a miséria humana.




Deus está sempre do lado dos mais fracos, dos que precisam de ajuda e de suporte frente à forças maiores. Essas são afirmações que percorrendo a leitura bíblica não podemos deixar de fazer. (Ex 3:12) (Dt 10:17-19)

O admirável coração de Deus o faz agir com grandeza, mesmo quando é desprezado e traído, por aqueles que são alvo do seu infinito amor.
Para nós que somos limitados e reféns do mal que não queremos fazer, à medida que somos incompetentes em realizar o bem que queremos, torna-se extremamente complicado fazermos uma sondagem eficiente da natureza do perfeito Deus. Podemos apenas, dentro das nossas limitações, fazer uma análise das suas atitudes em circunstâncias extremas, como logo no começo da História foi misericordioso e justo com o primeiro casal, ou a sua reação frente ao primeiro homicídio, ou ainda pela interferência miraculosa na situação que o seu povo vivia como refém no Egito.

A história de Deus com o ser humano poderia muito bem ter terminado quando Josué,  juntamente com o povo, pôs os pés na Terra Prometida. Ali Deus poderia ter dito: Missão cumprida. Encomenda entregue. Más não, quando a história poderia estar terminando com um final feliz, estava apenas começando. E logo entendemos porque. Aqueles que outrora eram opressos pelo regime faraônico, pouco tempo depois estariam pedindo para si um monarca, nos moldes que tinha o Egito, queriam ser contados, vistos, respeitados e temidos pelas nações da terra. De mais fracos queriam ser os mais fortes. De opressos estavam no rumo de se tornarem opressores. E queriam ostentar que por trás de tais fatos havia o Deus de Israel. Caminho errado, perderam o foco. Não entenderam que Deus não seria coadjuvante, não compartilharia e muito menos participaria dessas ambições. O Rei Saul foi a primeira manifestação dessas pretensões, enquanto o rei Davi materializa mais uma expressão do coração de Deus para com o seu povo, uma maneira de mostrar que não era o poder humano que os sustentaria.  O Rei Salomão, pavimentou o caminho escolhido para a derrocada de Israel, que sucumbiu perante outros povos, foi ao cativeiro babilônico e nesses milênios nunca recuperou a sua condição, mesmo sendo intitulada Israel de Deus.
Ora, será que poderíamos, como Igreja, retirar alguma lição dessas desventuras de Israel e do seu relacionamento com Deus?

Poderíamos concluir que a derrota de Israel se deu porque as premissas estabelecidas por Deus não foram respeitadas?
No que as pretensões da igreja contemporânea podem ser comparadas com as daquele Israel?
A influência, o poder político e econômico que a igreja tem conseguido será suficiente para sustentá-la mediante os desafios e as imposições que a sociedade tem apresentado? Não? Então será por isso que os evangélicos buscam mais poder, mais dinheiro, mais influencia?  

Jesus reafirmou, por diversas vezes, em seus discursos que o alvo da ocupação de Deus em meio aos homens continuava o mesmo da Antiga Aliança: Os fracos, os oprimidos, os necessitados, os doentes e os marginalizados pela sociedade de qualquer época (Lc 7:22).

Quando o intitulado “povo de Deus” deixa de dar prioridade àquilo que é o foco de Deus e passa a consumir energia e recursos com o próprio umbigo, em busca de objetivos triunfalistas, este povo fica só com o título e deixa, de fato, de ser instrumento dEle para cumprimento dos Seus propósitos. Logo surgem os “bons samaritanos” exercendo o papel de socorrer os caídos à beira do caminho. Olhe em volta e veja quantas instituições seculares e religiosas têm sido levantadas nessa condição, enquanto essa igreja torra milhões com aquilo que não é pão e está ocupada demais com os afazeres no templo, na rádio e na televisão, para dar atenção aos presos, internos, famintos e perdidos.

Deus sempre está ao lado do necessitado, onde este estiver e, não sugeriu, determinou que aqueles chamados de Seus também estivessem lá (MT 25:35-46).  Vamos obedecer ou sacrificar?

Em Cristo

Ielton Isorro

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