segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Qual é mais fácil? dizer: Os teus pecados te são perdoados; ou dizer: Levanta-te, e anda?




O mundo e a época em que vivemos são orientados por resultados. Muito pouco se faz não pensando no binômio “plantar e colher”.  E esse “colher” é calculado de acordo com o “plantar”. Planta-se trabalho esperando salário, amor por mais amor, amizade em busca de mais amizade, carinho aguardando carinho, atenção esperando atenção. É uma realidade calculável de ação e reação. Tal interpretação da realidade transfere-se para a espiritualidade das religiões carmicas ou não. Na visão evangélica não tem sido diferente. O relacionamento com Deus, estimulado pela interpretação que a igreja tem da Palavra, também, está contaminado com esse pensamento do “toma-lá-dá-cá”. Interpreta-se um Deus que para ser Deus está condicionado a uma série de ações nossas, inclusive, com reações plenamente calculadas pelos seus seguidores. Um Deus plenamente previsível e calculável.

Assim, os discursos vão ficando prontos. “É impossível Deus não abençoar se você fizer isso, ou aquilo”; “Deus fez isso porque fulano fez aquilo”; “Se você fizer isso, com certeza, Deus fará aquilo” ou ainda o absurdo “se Deus não fizer isso eu rasgo a minha Bíblia”. Tudo com fé, é claro, pois planta-se fé e espera-se colher resultados. Não que a fé não traga resultados, é claro que traz! Porém não são os que esperamos ou determinamos, más os que Deus determina e que certamente são melhores do que poderíamos calcular.

No texto de Lucas 5:23 Jesus dirige-se aos escribas e fariseus, que escandalizaram-se por ele ter afirmado ao paralítico “Homem, os teus pecados te são perdoados” e faz a intrigante pergunta: “Qual é mais fácil? dizer: Os teus pecados te são perdoados; ou dizer: Levanta-te, e anda?” Não é necessário discorrer aqui sobre os motivos daquele grupo ter se escandalizado. Eles na reconheciam quem Jesus era e pronto. Más vale a pena transportarmos essa cena para os dias de hoje e imaginarmos um desses curandeiros evangélicos levando o paralítico a Jesus. Certamente eles diriam “Ufa! Ainda bem que teve a segunda parte, já pensou se ele não honra-se a nossa fé e só perdoasse os pecados do indivíduo o que é que iríamos mostrar na TV?” 

Essa é a realidade que a igreja prega nos dias de hoje, resultados imediatos, prosperidade, benção, milagres.
Perdão de pecados e salvação é muito pouco, pra essa gente, e não tem atrativo nenhum, pois as “necessidades” são muito maiores.
A platéia pede mais sinais de que Deus é Deus mesmo e tem muito “homem de Deus” e “mulher de Deus” prontos a pressioná-lo a fazer isso, com jejuns, campanhas, orações, desafios e mais uma outra porção de ferramentas que são manipuladas com essa finalidade. Nessa maré vão os tolos e os espertos.

Tratam Deus como os profetas de Baal tratavam seu deus (I Reis 18:26-29). O mais terrível é que quando Deus, por sua bondade sem fim, faz os milagres, essa turma afirma que ele o fez como resultados de suas ações de “fé” e de seus “atos proféticos”, não porque Ele é bom e quer abençoar. E por isso realimentam essas práticas, pois como está dando certo, para que Ele faça ainda mais, “quanto mais fizermos, mais ele fará” e encaram esses resultados como mérito da fé e não como graça irrestrita de Deus.

O maior produto da fé, que nos foi dada gratuitamente, é a salvação operada pelo sacrifício da Cruz e conseqüentemente o perdão dos nossos pecados. A falta de contentamento, a ganância e a busca da satisfação dos nossos prazeres querem nos impulsionar a fazer com que utilizemos a nossa fé para direcionar Deus, com seu poder, a satisfazer-nos. Agrava-se mais ainda o quadro, quando alguém que se diz constituído por Deus distorce o texto bíblico para afirmar que isso é possível, afinal está escrito “Tudo o que pedir-des ao Pai em meu nome, crendo, será feito.” Não consideram, os incautos, que há uma série de condições impostas por Deus para que isso aconteça. Deus não se coloca a serviço da fé que Ele me deu. É ao contrário! Eu é que me coloco a serviço dessa fé, que produz em mim transformação e por conseqüência no mundo ao meu redor. (Tiago 2:17)

Em Cristo


Ielton Isorro

2 comentários:

Danilo disse...

Irmão,

Ótimo texto. Vou publicar no Genizah esta semana.

Mudo apenas o título para Administração (de divindades) por Resultados.

Graça e Paz


Danilo

Ielton Isorro disse...

é todo seu Danilo.

Forte abraço.

Ielton