Você já
pensou na possibilidade de confiar em alguém cegamente?
Como uma
criança que segura a mão da própria mãe ao cruzar uma avenida, olhando para o céu
enquanto saboreia um pirulito, já que está confiante e despreocupada com os
carros, pois a sua mãe está ocupada em que nada de mal lhe ocorra durante a travessia?
Parece uma
pergunta fácil de responder, principalmente quando se está entorpecido pelo
discurso religioso recorrente em nossos dias, onde confiar em Deus parece ser a
coisa mais simples do mundo, conforme é berrado nos microfones sobre os
púlpitos. Como se fosse a coisa mais inconcebível, em algum momento, alguém não confiar em Deus.
Quando foi
a última vez que você desconfiou de Deus? “Misericordia!!” Quase pude ouvir o pensamento
de alguns. “Eu jamais desconfiei de
Deus!” Pura bravata religiosa. Todos nós em algum momento sofremos um déficit nessa
confiança, que nós gostaríamos que fosse inabalável, mas não é.
O frio na
barriga quando sabemos que sairá uma lista de corte no nosso emprego; Quando o
médico abre o envelope com os últimos exames cardíacos que fizemos; Quando o
telefone toca de madrugada e as camas de pessoas que amamos ainda estão vazias.
Nesses, e noutros casos, em que parece que o chão desaparece debaixo dos pés, clamamos a
Deus, mas as batidas do coração continuam aceleradas, principalmente quando as
más notícias se confirmam, a angustia entra sem bater na porta e desesperadamente
nos agarramos ao que resta da confiança “inabalável” que tínhamos e a primeira
pergunta que surge é “Por que, Senhor?” Essa é uma pergunta bastante
reveladora, por trás dela está a nossa verdadeira confiança, que é muito
diferente da que temos em nosso discurso religioso.
Da mesma
forma essa “confiança” revela-se também quando fazemos aquilo que não agrada a
Deus, e pior, gostamos do que fizemos, ainda que venha sobre nós o
convencimento do Espírito Santo quanto ao delito. Outra vez, nestas ocasiões,
somos invadidos pela angustia e pela sensação de que “depois dessa” Deus nunca
mais nos ouvirá e que não somos dignos de estar em sua presença, como se algum
dia tivéssemos conquistado esse direito por nossos méritos e esforços de
santificação.
É esse o
tipo de confiança que temos em Deus e que só revela quem de fato nós somos e quem de fato Ele é, pois conforme a
Bíblia explica “Se somos
infiéis, ele permanece fiel, pois não pode negar-se a si mesmo” (2 Timóteo 2:13) Em outras palavras se eu deixo de confiar nEle, Ele permanece confiável.
O Cristo desafiou Marta e nos desafia a confiar nele e
em suas promessas "Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em
mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em mim, não morrerá
eternamente. Você crê nisso? " (João
11:25-26)
À medida que deixamos de ser crianças, já
não seguramos nas mãos dos nossos pais para atravessar a rua, porque
passamos a confiar mais em nossas próprias habilidades e desconfiar de qualquer
coisa que nós mesmos não estejamos no controle, principalmente quando tais
coisas não saem da maneira que pretendíamos, ou que entendíamos como melhor. Daí vem o alerta de Jesus "Deixem vir a mim as crianças, não as impeçam; pois o Reino de Deus pertence aos que são semelhantes a elas" (Marcos 10:13) Crianças confiam cegamente.
Abandonar-se cegamente nas mãos de Deus e, ao mesmo tempo, não deixar de ser responsável pelas próprias atitudes e conseqüências, talvez
configurem-se nos maiores desafios da fé cristã amadurecida e não estamos sequer perto de
superar isto. Logo, só nos resta confiar no Amado a despeito de nossa própria capacidade de confiar.
nEle
Ielton Isorro
Um comentário:
Lindo texto.
Me fez refletir muito..
Principalmente pelo momento a qual a minha vida espiritual está passando...
Paz do Senhor.
Que Deus Abençõe..
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