A frase acima foi dita pelo pastor Valdeci Pereira, 42, da igreja Batista no Santa Marta – RJ - a respeito da freqüência com que os evangélicos mudam de igreja. A afirmação foi feita em uma matéria publicada na Folha de São Paulo que trata sobre o aumento dos evangélicos não praticantes e dos que freqüentam diversas igrejas simultaneamente (http://www1.folha.uol.com.br/poder/959792-trocas-de-igrejas-sao-comuns-em-favela-na-zona-sul-do-rio.shtml)
De fato, o pastor Valdeci tem toda razão na sua afirmação. Em um mundo onde as campanhas de marketing cada vez mais destacam que as pessoas podem e devem ser atendidas pelas instituições e seus produtos, a igreja, nivelando-se ao utilitarismo das demais instituições, também adequou os seus discursos para atrair gente que precisa ver atendidas a contento suas demandas, familiares, emocionais, financeiras e de saúde.
Isso por um lado foi muito bom porque atraiu um grande número de pessoas para a igreja. Principalmente as pentecostais e neopentecostais, que saturaram o uso desse modelo de marketing, baseado no apelo emocional pelas necessidades, entre as classes C e D onde as carências sempre foram maiores e, por assim ser, as promessas de saúde e prosperidade encontraram grande aderência. Algumas destas igrejas chegam ao absurdo de fazer as pessoas reclamarem com Deus e o colocarem contra a parede, nas suas orações, quando os seus pedidos não são atendidos. Da mesma forma como estão acostumadas a fazer nos Serviços de Atendimento ao Cliente das empresas quando estas não entregam o que foi comprado!
Agora se mostra o outro lado da moeda, que também já é experimentado por todas as instituições. O consumidor, antes de ser fiel a qualquer instituição ou produto, é fiel a si próprio e acaba ficando com aquele que lhe atende melhor, até que outro o faça.
Os números do IBGE divulgados na matéria, reforçam a necessidade de repensar esse modelo de igreja.
Não seria tempo de voltarmos ao modelo proposto por Jesus (João 13:12-17), onde o "serviço ao outro" deve estar em primeiro lugar, antes do "serviço a mim mesmo"?
Onde estão os crentes abnegados, prontos a alcançar o necessitado, sem ocupar a posição de um cliente que precisa ser bem atendido em qualquer circunstância, por ter fé, dar o dízimo, ou por atender os demais desafios propostos pela igreja?
Por certo, muitos pastores ainda desafiam suas igrejas a viverem esta vida abnegada dentro e fora da congregação. Não obtendo a resposta devida dos crentes, esses líderes veem-se encurralados e reféns da própria congregação que ameaçam abandonar a igreja e procurar outra onde possam servir a Deus com "liberdade". E a oferta, justificada pela procura, é grande!
A maioria dos evangélicos estão impregnados pelas mesmas motivações egoístas que embalam o restante da sociedade, e buscam uma igreja-instituição-paternalista que os atenda, um lugar onde se sintam bem e não onde sejam diariamente chamados a lembrar do desconfortável chamado do Cristo, para sermos agentes de SERVIÇO, lavando os pés uns dos outros e promotores de TRANSFORMAÇÃO, sob a ordem de tomar a própria cruz e segui-lO, arcando assim com as responsabilidades de ser Igreja. Isso não é para os que procuram o bônus de pertencer a uma igreja sem o ônus de ser Igreja.
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