sábado, 12 de julho de 2008

Quem tenho sido? O que tenho feito?



“Quem semeia vento colhe tempestade”
“Quem com ferro fere com ferro é ferido”
“Aqui se faz aqui se paga”

Frases por demais conhecidas que ilustram o sistema de justiça humano, onde a lei da semeadura é amplamente discursada e tida como modelo infalível, por essa razão é imitada pelos códigos de direito, até então concebidos, que em resumo resultam em punição para quem erra e premiação para os heróis.
Tais conceitos são aplicados nos tribunais de justiça quando réus são sentenciados por crimes cometidos. Também estão presentes nos tribunais da mente humana, quando são formados os pre ou pos conceitos a respeito de pessoas, em razão de suas atitudes para conosco ou para com outros.
As mentes, desde a infância, são treinadas para viver dentro deste cenário e conviver com as consequências de uma realidade em que a ação e a reação são constantes, condicionadas a um ambiente onde sempre haverá a espectativa de uma reação equivalente às ações individuais.

Neste cenário a graça parece ser o maior paradoxo que poderíamos imaginar, já que utilizamos o nosso senso de justiça avariado pelo pecado, motivando a imensa dificuldade de conceituar ou entender a graça de Deus e as ações do Deus da Graça.

Até mesmo a Igreja ainda não a assimilou e por não se deixar vivê-la por inteiro, torna-se um agente com grande dificuldade em transmití-la.
O apostolo Paulo desprezou a sabedoria humana, da qual ele era um dos porta-standartes e só por isso conseguiu ser aquele que melhor articulou sobre o assunto. E até hoje é com base em suas epístolas que temos as melhores definições e as afirmações mais precisas no que diz respeito ao assunto.

A graça nos apresenta o seu cartão de visitas, num dia sangrento, em cima do Golgota. Naquele momento o heroi que deveria estar recebendo das autoridades religiosas e governamentais instuídas a premiação e o reconhecimento pela imensa obra que mudaria para sempre a trajetória da espécie, e isso em menos de três anos de atuação. Não recebeu medalhas pelo seu empenho ou reconhecimento pelo desempenho. Recebeu cravos com os quais foi pregado em uma cruz e vergonha em lugar de honra. Ao passo que ao seu lado alguem, que sequer tem o nome registrado na história, mais um zé ninguem, mais um desses marginais que, segundo a nossa ótica, não merecia sequer ter nascido, mas já que nascera não merecia outra coisa se não a morte, de forma que a sociedade fosse expurgada de mais um de tantos tumores málignos.

Como que por ironia, é justamente desse zé ninguem que o heroi desprezado recebeu o reconhecimento merecido: “Se estamos aqui é porque merecemos, ele nada fez” disse o marginal e arrematou: “Senhor, quando entrares no teu Reino, lembra-te de mim”. Por um instante o cosmo inteiro parou a espera da argumentação lógica, que para todos seria algo como: Você não merece, ou o Reino não é para gente ruim como você. Más é exatamente nesse momento que ocorre o maior embaraço que os codigos de justiça poderiam sofrer, uma vez que a resposta para aquele pedido foi a afirmação: “Ainda hoje estarás comigo no paraíso”. Devido a essa frase, os desesperados, os miseraveis, os que não se sentem merecedores passam a ter a esperança que até então só os “perfeitos”, os “bons” os religiosos tinham.
Alguns tentam minimizar essa expressão da graça chamando o zé ninguem de O bom ladrão para que ele ficasse melhorzinho e portanto um pouco mais merecedor de entrar no paraíso, já que o ladrão da terceira cruz ridicularizara Jesus. Os que apelam para esse expediente esquecem-se de que aquele homem estava na cruz, conforme ele mesmo adimitira, exatamente por não ter nada de bom, certamente reconhecia que havia cometido crimes terríveis e prejudicara outras pessoas, o único realmente bom ali é Jesus, e por isso o zé ninguem foi salvo. Esse é um dos princípios da graça: Os que são salvos, não o são por causa da sua própria bondade e sim por causa da bondade do Senhor, de graça.

Ao contrário do temor de muitos, a graça não invalida a justiça, antes, ela anuncia um nível de justiça muito mais elevado e imponderável. Por isso mesmo não dependemos do nosso esforço para usufruí-la, muito pelo contrário quanto mais nos esforçamos mais deixamos de desfrutá-la.
É pela graça que Deus perdoa, mesmo não se agradando do pecado.
"Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isso não vem de vocês, é dom de Deus; Não por obras para que ninguem se glorie." Ef 2:8-9
Aos salvos cabe distanciar-se, custe o que custar, daquilo que não agrada ao seu Salvador, uma vez que a graça dá o direito ao perdão, más não dá o direito de pecar e esse pensamento deve nortear quem somos e o que fazemos.

Ao Deus da Graça toda glória, por tudo!!

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