O pr Ricardo tem razão "Este belíssimo texto merece ser conhecido por todos."
DEUS DE TÃO PERFEITO conheceu a plenitude do tédio. De tão cercado pelo idêntico a si mesmo, incapaz de dizer por que hoje não é apenas um reflexo de ontem, sem jamais ter sonhado com um outro dia, enfadado com a previsibilidade de um mundo impecável, inventou o amor. Ou seria, preferiu amar?
A invenção do amor, ou dos amigos, é o encontro com o imperfeito e aqui está a sua grandeza. Nada se compara ao êxtase da imaginação, à adrenalina do inusitado, ao ciúme diante do livre amante, à ardência do anseio pelo melhor, ao sabor fugidio do fugaz, à satisfação de um mundo transformado, ao descanso gostosamente dolorido diante do que não mais é caos. Sensações próprias da vida imperfeita, do que está para sempre para ser, dos que sempre podem desejar uma outra coisa. Dos humanos.
Logo depois de inventar o imperfeito, Deus conheceu a lágrima da frustração. A dor mais feliz que espíritos livres sentem. Viu as costas dos que mais amou. Duvidou sem desistir, o Criador chorou mais uma vez. Desta lágrima descobriu o perdão. Lágrima esquentada com afeto e graça.
Mal compreendido pelos amigos, inimigos tolos, pecado, recobriram-no de ídolo. De tão cansados do incerto, angustiados por tanta liberdade, os amigos inventaram ídolos, pretensos profetas e arrogantes senhores do futuro, sacerdotes e magos de um deus acuado, cristos milagreiros da mesmice ressurreta. Inventaram a religião, vestiram-se de absoluto.
A invenção do amor, ou dos amigos, é o encontro com o imperfeito e aqui está a sua grandeza. Nada se compara ao êxtase da imaginação, à adrenalina do inusitado, ao ciúme diante do livre amante, à ardência do anseio pelo melhor, ao sabor fugidio do fugaz, à satisfação de um mundo transformado, ao descanso gostosamente dolorido diante do que não mais é caos. Sensações próprias da vida imperfeita, do que está para sempre para ser, dos que sempre podem desejar uma outra coisa. Dos humanos.
Logo depois de inventar o imperfeito, Deus conheceu a lágrima da frustração. A dor mais feliz que espíritos livres sentem. Viu as costas dos que mais amou. Duvidou sem desistir, o Criador chorou mais uma vez. Desta lágrima descobriu o perdão. Lágrima esquentada com afeto e graça.
Mal compreendido pelos amigos, inimigos tolos, pecado, recobriram-no de ídolo. De tão cansados do incerto, angustiados por tanta liberdade, os amigos inventaram ídolos, pretensos profetas e arrogantes senhores do futuro, sacerdotes e magos de um deus acuado, cristos milagreiros da mesmice ressurreta. Inventaram a religião, vestiram-se de absoluto.
Deus, que do absoluto fugiu em desespero, que inventara o imperfeito, imperfeito se fez. Inventou-se entre os incertos. Aperfeiçoou a imperfeição. Humanizou-se entre humanos. De tão impreciso, despido das forças do absoluto, igualmente inapreensível, excepcionalmente frágil, tão vivo e tão morto, descortinou o absoluto como quem desnuda o que é mau. Imperfeito, salvou-nos da perfeição.
2 comentários:
Meu amigo,
Recebi seu convite e vim conhecer seu blog. Há textos preciosos neste espaço, em especial os de sua lavra. Temos idéias em comum, e militamos do mesmo lado.
Contudo, me é impossível concordar com este texto do Elienai Cabral, no qual vemos um relato de um Deus impossibilitado, impotente, escrachado... Um discurso totalmente contaminado por um tal de "teísmo aberto", "teologia relacional", ou ainda "impossibilismo". É óbvio que a terceira nomeclatura é rejeitada pelos "teólogos abertos", mas é a isso que ele conduz: impossibilismos...
Negando a soberania de Deus sobre os assuntos humanos, a presciência dos fatos e a onipotência divina, o teísmo aberto (teologia difundida no Brasil por Ricardo Gondim, Ed René Kvitz e Elienai Cabral) tira Deus do cenário e apresenta-nos um ‘espantalho’ em seu lugar.
Tal teologia é absurda, porque mina totalmente a confiança que o crente tem em Deus. Acerca disso, Tomas C. Oden, em uma edição da revista americana Chistianity Today, declara:
“Conceber tal fantasia (um Deus finito e mutável) é incorrer em uma espécie de engano teológico cuja sutileza é maior do que se pode imaginar no que tange às explicações e conseqüências que tal conceito impõe à fé cristã”
Embora ensaios espiritualistas possam parecer poeticamente atrativos, as heresias que recheiam suas linhas são extremamente nocivas.
O fato é que o Deus que se abriu a um futuro desconhecido, este que se fez imperfeito... tão humanizado que deixou de ser divino, essa abstração teológica pregada por Gondim e Cia Ltda não existe. Jamais existiu! Ao menos, não nas páginas da Bíblia.
O Deus da bíblia é despótico, soberano, perfeito. Ele não se abriu a nenhum futuro desconhecido: Ele sabe o fim desde o começo:
Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade; que eu sou Deus, e não há outro Deus, não há outro semelhante a mim. Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade. - Isaías 46.9-10
Um grande abraço, e peço desculpas pela crítica mal redigida. Não precisa publicar este comentário: é apenas uma conversa informal sobre dois amigos. Escrevo estas linhas por achar que este texto do Elienai não tem muito a ver com a riqueza editorial deste espaço virtual.
Em Cristo, kyrios despotes!
Leonardo.
Obrigado, irmão, pelo comentário e pela honra da visita.
Engraçado, ainda esta semana estava relendo esse texto, agora sobre a ótica do Teismo aberto, que na ocasião em que publiquei não tinha, e concordo com suas palavras. É um deus muito humano e humanista o proposto pelo Elienai, apesar do texto ter uma considerável beleza, não poderia sacrificar o principal, nem mesmo sob licença poética.
Vou manter aqui tanto o texto, quanto esses comentários para registro de amadurecimento desse assunto.
Em Cristo
Ielton Isorro
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